Manifesto contra o manifesto contra relacionamentos sérios

Venho por meio deste declarar a minha indignação com a repercussão do manifesto contra o relacionamento sério. Comecei a escrever da forma mais clichê de todas porque não consegui pensar em nada melhor tamanha minha raiva. Queria deixar claro que minha irritação não tem nada a ver com o conteúdo, pelo contrario, concordo com cada palavra do manifesto. O problema está nas pessoas que estão falando sobre o texto.

Para explicar minha revolta, vamos voltar ao dia em que li o manifesto contra relacionamentos sérios pela primeira vez. Foi pelo Facebook, claro, uma namorada tinha publicado no mural do namorado. Adorei! Simplesmente adorei, por dois motivos. Motivo um: esse casal tinha sim um relacionamento divertido, ou pelo menos era o mais perto de um possível. Motivo dois: reforçava um discurso que eu já pregava há algum tempo. Há muito tempo para falar a verdade. E está aí, nesse segundo motivo, a origem da minha indignação.

Sempre, nas rodas de amigos, quando o assunto era relacionamento eu falava do tipo de relação que eu queria construir, era uma bem semelhante à descrita no manifesto, mas eu sempre ouvia coisas do tipo “você fala isso por que nunca namorou, quando se está em algum relacionamento não tem como não perder a liberdade, não tem como não ter ciúmes e é muito difícil ter essa relação” ou então “é fácil falar, mas na prática é quase impossível”. Começaram a entender a raiva? Não? Então se lembrem do motivo um. Achei a coisa mais linda do mundo ver o texto no mural DAQUELE casal, mas quando várias pessoas que nunca concordavam comigo começaram a curtir e compartilhar, veio a indignação. Por que as pessoas que me falavam que não existem relacionamentos como eu queria declaravam no Facebook, para todo mundo ver, que queriam exatamente a mesma coisa que eu?

No fundo no fundo, todo mundo quer um relacionamento divertido. Tem coisa melhor? Uma relação leve, feliz, divertida. Você não quer? Eu quero. Mas não é fácil. Fácil é postar no Facebook, quero ver fazer.

Digo isso porque as pessoas se esquecem de um detalhe importante. E agora vem mais uma das minhas filosofias de vida: bons relacionamentos são feitos de bons solteiros. É isso mesmo! As pessoas acham que para ter o tão sonhado relacionamento divertido só é preciso achar uma pessoa que queira um também. Quase ri. A parte mais importante não está no outro, está em você. É preciso encontrar em você a pessoa que consegue ter um relacionamento divertido. Um relacionamento divertido é composto por duas pessoas que são felizes sozinhas sendo felizes juntas. É isso que considero como bons solteiros. Pessoas que não precisam de outras para serem felizes, para estar bem consigo mesmas. Isso envolve autoestima e autoconfiança, coisas que faltam em muita gente. O maior inimigo do relacionamento divertido é a insegurança. É com ela que vem o ciúme excessivo, as crises de posse, a carência e mil outros problemas.

O dia que eu ouvir alguém dizer “não vivo sem você” eu saio correndo. Vai aprender a viver sozinho para viver comigo! Não quero ninguém que tenha medo de me perder, quero alguém que não queira me perder. São coisas bem diferentes. O medo de perder não quer dizer que você ama a outra pessoa, quer dizer que você não se ama e não quer ficar sozinho. O não querer perder é o simples fato de preferir estar junto.

Depois do desabafo até que passou um pouco da indignação, então fecho esse texto com uma dica. Se um relacionamento divertido é o que vocês realmente querem, não só postem no Facebook. Vão aprender a viver sozinhos, vão buscar a autoestima e a autoconfiança! Eu garanto que quem sabe ser feliz sozinho não vê uma relação a dois como prisão, vê como outra forma de liberdade.

TEXTO DEPatrícia Carvalho
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