Mais amor, sem favor.

Por favor não se ama. Por favor não se vive. Vive-se o amor pelo o que tem de livre. Pelo o que tem de lindo. Por amor. Sem favores.

Ama-se pela risada estranha. Pelos cachos do cabelo. Pela pinta nas costas. Pelo jeito de falar. Pelo cheiro. Pelos planos pro futuro.  Ama-se a cantoria sem ritmo do outro. A forma engraçada de dançar. Os bilhetes sem sentido.

Ama-se o jeito que os dedos se encostam. O arrepio da pele. O cheiro na nuca. Mas por favor? Não. Por favor não.

A gente até pode cobrar um atençãozinha aqui. Dar um puxão de orelha acolá. Ter gratidão pelo outro. Ter carinho e admiração. Mas ficar por favor? Aí é demais.

A geração que preza por “mais amor, por favor” deveria prezar pelo amor. Apenas por ele. Porque amor é de graça. Amor é livre. Amar é sem imposição. Amar por amar, sem obrigação.

Por isso eu peço: Amem. Pelos motivos que entenderem devidos, mas amem de todo o coração o que puderem. Mas não amem apenas por gentileza. Porque amor só se sustenta no indefinível.

TEXTO DELaira Custódio
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