Lembra de mim

Eu te gostei muito. Nunca te disse, como você também não disse. Gosto de pensar que no fundo você soube. Pena que as cabeças confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, embora a gente não deva ter vergonha do que é belo. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas. Se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha, e tenho, por você. Acho que é bom a gente saber que existiu desse jeito em alguém, como você existiu em mim.

Tenho uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Tenho uma metade que mente, trai, engana, por medo ou negação. Outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha. Metade auto-suficiente então.

TEXTO DERodrigo Lima Romano
COMPARTILHAR





COMENTÁRIOS