Incomodar é preciso

Não somos obrigados a sermos descolados porque se convencionou que amor é careta e que sentir ciúme é coisa de gente não evoluída. Enfim, estamos na Era do “eu sou mais eu”. Se tal pensamento fosse realmente verdadeiro, não encontraríamos tantas pessoas deprimidas e solitárias no mundo. Se a vida fosse uma micareta realmente, com pessoas tão descoladas e acima dos sentimentos, não estaríamos todos nós tão perdidos , sem saber ou sem ter para onde ir.

Sim, incomodar é preciso. Mas não me refiro a gente chata, rebelde sem causa, gente que gosta de contrariar por contrariar, que gosta de ser desagradável por hobby. Não me refiro a gente que fica alfinetando os outros por despeito ou por falta de coisa melhor para fazer.

Não me refiro a gente que se intitula sincera, mas que na verdade é grossa e dá opiniões não solicitadas com o intuito de magoar as pessoas ou simplesmente chocar. Ninguém está livre de cometer uma gafe ou ter um ataque de sincericídio. O problema é quando a coisa vira um hábito. Mais do que isso. O problema é quando a pessoa realmente acredita que vomitar as verdades dela na cara dos outros é sinal de superioridade intelectual e emocional.

Não, não estou falando deste tipo inconveniente de incômodo. Estou falando de incomodar num sentido mais sutil e subjetivo. Estou falando de gente que sabe remar contra a maré, que tem coragem de pegar uma estrada temida, provar de um fruto desconhecido, de inventar a sua própria receita de vida. Estou falando de pessoas não escravizadas pelas convenções e pelo medo de destoar. De gente que entende que a vida sem um mínimo de expressividade não deveria nem ser considerada vida.

Estou falando de gente que não precisa agir como todo mundo para se sentir bem. De gente que valoriza mais estar bem do que simplesmente aparentar. De gente que entende que a vida não é propaganda de margarina. De gente que entende que às vezes é preciso enfiar a adaga no fundo do peito , se queimar inteiro e ressurgir das cinzas como uma Fênix.

Sim, incomodar é preciso. Não devemos ser rudes mas, também não precisamos aguentar todos os pesos que jogam sobre nossos ombros. Não devemos ser rancorosos mas, também não precisamos fingir uma simpatia ou um afeto que não sentimos. Não temos que aguentar tudo só porque é politicamente correto, porque está na moda, porque dizem que é saudável.

Não somos obrigados a sermos descolados porque se convencionou que amor é careta e que sentir ciúme é coisa de gente não evoluída. Enfim, estamos na Era do “eu sou mais eu”. Se tal pensamento fosse realmente verdadeiro, não encontraríamos tantas pessoas deprimidas e solitárias no mundo. Se a vida fosse uma micareta realmente, com pessoas tão descoladas e acima dos sentimentos, não estaríamos todos nós tão perdidos , sem saber ou sem ter para onde ir.

Não somos obrigados a beber porque nossos amigos bebem. Não somos obrigados a deixar de beber porque nossos amigos não bebem ou porque não é sexta-feira à noite. Para alguns , encher a cara de sexta-feira à noite é normal. Mas muitas destas pessoas acha estranhíssimo alguém beber um ou dois copos de cerveja numa segunda-feira ao meio-dia. Não somos obrigados a fazer média para gente que nos desconsidera, que mesmo nos tratando educadamente , não nos inclui em nada. Não somos obrigados a ficar nos rastejando para ganhar migalhas de afeto de quem passa muito bem sem a gente. Não somos obrigados a tentar nos explicar para quem não está nem aí para as nossas razões e prefere nos julgar em vez de nos conhecer.

Sim, é preciso incomodar. É preciso tirar a vida do piloto automático. É preciso se entregar às pessoas que realmente nos querem bem. É preciso se entregar ao que toca o nosso coração, fazendo-o vibrar. É preciso questionar o estabelecido se o estabelecido nos parece injusto ou nos faz infeliz. É preciso colocar o ser humano acima da regra, do protocolo. É preciso colocar o amor e a alegria de viver acima do status e das aparências. É preciso ouvir a própria voz e seguir a nossa intuição, aderindo à nós mesmos.

FONTEObvious Mag
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