Hoje, saudade

Não sei ao certo o que nos afastou tão depressa assim. Talvez, por descuido ou cuidado demais, o laço que não tenha sido atado com firmeza. Talvez a insensibilidade desgastante da vida que infectou a nós mesmos. Talvez tenhamos rendido, por segundos, nosso sentimento à evanescência ou talvez tenha sido só o medo arruinado de ser feliz mesmo.Nossos contatos foram se tornando cada vez mais silenciosos, em contrapartida, meu coração foi ficando aflito ao sentir, pouco a pouco, nossa distância.

Quando perguntam como estou, existe aquela resposta automática que escapole da boca sem a existência do pensar. “Eu tô bem.” Tô bem nada. Tô bem porra nenhuma. Eu tô é perdido. Cambaleio e tropeço nesse laço que mais parece um cadarço que a gente esqueceu de amarrar. Desconexo do dias. Nocauteado.

Sabe, a saudade chega num ponto que vira fardo pesado feito pra se carregar nas costas… sozinho. A saudade é impiedosa. Às vezes, é tão amarga que corta os lábios e a língua.

Por mais distantes que estejamos hoje, ainda sinto nossa história de perto, clara e nítida na frente dos meus olhos. Sem descanso, não paro de sonhar com o reinvento ou reencontro no futuro do passado que vivemos.

Hoje, escrevo enquanto ouço aquela música que você intitulava como nossa, e que adorava ouvir enquanto se jogava sob mim no chão da sala.

Hoje, escrevo com a voz que abafa na garganta ao lembrar do teu sorriso de menina boba ao receber um beijo na testa.

Hoje, escrevo com os olhos de quem encontra a gente através dos casais que, em meio ao caos da cidade, são vistos através retrovisor do carro.

Hoje, escrevo com a voz do aperto que sinto no peito ao lembrar de quando acordava e tinha você de costas pra mim, confiando e fazendo dos meus braços teu abrigo após uma noite intensa de amor.

Hoje, escrevo com as memórias e lembranças de cada detalhe teu, cada momento nosso, que carrego bem guardados aqui dentro de mim.

Hoje, escrevo com saudade. De você e de nós.

Fonte: Rafael Reis

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