Falsidade por esporte

Não me preocupo com pessoas que não gostam de mim.
Podem até me odiar que em nada me afetam.
Eu não espero muito delas e quando espero não é algo bom.
É como se eu vivesse sempre preparada para o pior que elas tem a oferecer.
Sendo assim, quando o pior vem não me pega desprevenida, não me surpreende e não me afeta.

Quando uma pessoa me odeia declaradamente, ela sente algo verdadeiro por mim.
Mesmo que seja ódio, mas essa pessoa pelo menos tem compromisso com a verdade.
Ela não deixa dúvidas de que não gosta de mim.
Ela não finge, não mente, não engana.
E eu a respeito por isso.

O que me preocupa mesmo são as pessoas que quando me veem, sorriem, me abraçam e perguntam como eu estou sem a real intenção de saberem se estou bem ou não.
Ou pior, com a esperança de que eu não esteja bem porque isso as deixaria felizes.
Essas pessoas me preocupam, me pegam desprevenida e me afetam.

Me preocupam porque eu nunca sei quem elas são.
Elas se camuflam, elas se escondem, elas atuam.
Então elas podem ser qualquer um.
Desde o conhecido que eu troco bom dia e boa noite até o amigo que eu troco confidencias.
E quanto mais próximo se está, mais forte é o soco.

Me pegam desprevenida porque é sempre quem eu menos imagino.
É sempre quem tem o sorriso mais largo, as palavras mais doces, a voz mais mansa.
É sempre quem tem menos motivos, quem dá menos a entender.
É sempre de quem o susto é maior.

E me afeta porque não é tão fácil assim simplesmente ignorar.
Não existe um botão liga e desliga para o se importar.
Por pior que essa pessoa se mostre ser, se eu me importava com ela em algum grau,  não é de uma hora pra outra que vou deixar de me importar.
Mesmo que ela tenha feito exatamente isso comigo, e daí?
Eu não sou ela.
Não é assim que funciona.

É impossível não se perguntar incansavelmente o porquê.
Foi algo que eu disse? Foi algo que eu fiz? Foi algum mal entendido que poderia facilmente ter sido evitado?
O que foi?
E eu quebro a cabeça com perguntas que nunca terão respostas.
Eu quebro a cabeça tentando entender como os momentos bons que tivemos se transformaram em atitudes tão pobres, mesquinhas, negativas, e completamente gratuitas.

Eu me esforço, eu tento, mas acho que nunca vou conseguir entender pessoas que são falsas com as outras por puro prazer.
Elas não tem efetivamente nada contra.
Apenas sentem prazer em dar uma facadinha nas costas de vez em quando.
É um esporte. É um passatempo. É um hobby.
É o que essas pessoas fazem quando estão entediadas, quando querem se divertir.

E elas não sentem remorso.
Não sentem porque não sabem se importar.
E é difícil viver em um mundo de gente que se importa de menos.
É difícil porque quando você se importa de mais, acaba se tornando um alguém cada vez mais sozinho.

FONTEDeu Ruim
TEXTO DEMarina Barbieri
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