Escrito por Jéssica Pellegrini, colunista do Sábias Palavras.

 

Amar a si mesmo é o começo de um romance que vai durar a vida inteira…

Eu tentei, lutei com as próprias mãos. Eu não tinha armadilhas, muito menos esconderijos para me esquivar, caso fosse necessário. Eu tentei, entrei de corpo e alma nesse seu jogo de sedução. Sempre estive de peito aberto para encarar os problemas. Eu tentei, mergulhei em muitas perguntas sem respostas, em incertezas que nunca me proporcionaram quaisquer tipos de segurança. Eu tentei, eu fiz o que estava ao meu alcance e, quando eu não dava conta, eu apressava o passo e logo te alcançava.

Eu tentei, de coração. Descobri todas as maneiras de te agradar e fiz por onde para te surpreender, até mesmo nos pequenos detalhes. Eu tentei, aceitei as suas crises, os seus defeitos, traumas e medos. Eu segurei forte a sua mão para caminharmos juntos, eu estava disposta a te ajudar em tudo. Eu tentei, peguei as suas dores para mim, comprei as suas brigas e atacava quem ousava se aproximar de você com intenções negativas. Eu tentei, mantive o positivismo até mesmo quando estivemos à beira de um abismo. Eu acreditava, verdadeiramente, em você e no nosso relacionamento. Eu tentei, por me encher de expectativas de que seríamos para sempre.

Eu tentei, fiz de tudo por você. Tirei de mim para te dar, passei frio para te esquentar, tomei chuva para você não se molhar. Eu tentei, fui gentil e educada. Me preocupei e cuidei quando ficou doente, acordava mais cedo para preparar o seu café da manhã. Desencanei de baladas, encontrei em você a minha melhor companhia. Com você, qualquer lugar do mundo era incrível. Eu tentei, demonstrei todas as minhas reais intenções ao seu lado, planejei um futuro que nunca vai acontecer. Eu tentei, perdi o meu tempo tentando te ganhar e nunca imaginei, que você já previa me perder. Eu tentei, mas acabou.

Eu tentei, até eu me enrolar nos papéis de trouxa e ficar de saia justa. Eu tentei, até você esfregar na minha cara que nunca mereceu os meus sentimentos, a minha dedicação, a minha lealdade e respeito. Eu tentei, até você mostrar-se exatamente o oposto do que parecia ser. Eu tentei até descobrir todas as suas mentiras. Eu tentei, desculpei os seus deslizes e acreditei em nós até você me pedir para ir embora. Eu tentei, mas agora estou partindo, para nunca mais voltar. Eu tentei, lembre-se disso. Eu tentei, mas agora chega.

Levo comigo lembranças de um quase amor. Eu quase consegui realizar os meus sonhos, quase fui completamente feliz com você. Eu quase encontrei o que sempre procurei, quase fui para alguém, a razão de tudo. Eu quase fui o seu amor, quase fomos nós. Eu quase pensei em casamento, quase desejei ter filhos ao seu lado. Eu quase fui iludida por completa, quase depositei em você os meus sorrisos. Eu quase fui otária, mas o amor próprio me serviu como uma luva e me salvou a tempo. Eu quase me afoguei em prantos por você, mas dei a volta por cima e me libertei dessa âncora que apenas me afundava.

Hoje eu caminho em paz. Estou leve, sentindo a brisa arrepiar a minha nuca. Eu não preciso dar satisfações, não tenho mais discussões e também, não preciso mais abrir mão das minhas coisas para agradar alguém. Eu não me arrependo de absolutamente nada, tudo é aprendizado. E, sabe, eu faria tudo de novo por um outro alguém. As minhas prioridades e valores continuam os mesmos. Mas por enquanto, estou substituindo o quase por certezas. Quero dormir e acordar sabendo que tudo estará bem na manhã seguinte, ter convicção sobre as minhas atitudes. Porque agora eu aprendi, que palavras o tempo leva. Que nenhum relacionamento sobrevive sem reciprocidade. Que tudo o que brotamos, colhemos adiante.

Estou cansada de quases. Às vezes, aceitamos pouco por medo de não termos nada, mas isso não vale a pena. Pessoas inteiras, não merecem outras pela metade.

Se tudo terminasse em amor, não existiriam os pontos finais.

TEXTO DEJéssica Pellegrini
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