Está decidido, vou até aí.

Entre pessoas, mesas e cadeiras, com todas aquelas vozes ao mesmo tempo, eu havia me focado em uma única decisão. Não poderia esperar mais, que tipo de pessoa seria eu se ficasse citando todo o dia o quanto estou com saudade se eu não corresse atrás de uma forma de ir ver você. Eu vou até você, está decidido, já não consigo mais aguentar.

Espera, já te aviso, invento alguma história pra poder ir, digo que o seu gato me ligou, digo que as duas pequenas poodles é quem estão sentindo minha falta. Invento qualquer coisa só para poder dormir do teu lado no meio dessa semana, esperar até o fim de semana seria muita tortura. Mas antes, me deixe terminar essa discussão:

– Desculpe seu garçom, mas eu pedi um expresso duplo e não este café com leite.

– Mas senhor, essa é apenas a espuma do café, olhe por baixo, é o típico café preto brasileiro.

– Tens razão, mil perdões.

O telefone toca e, novamente, seu gato está me ligando e dizendo que eu preciso ir até sua casa ver ele. Diz que não aguenta mais ouvir as cachorras uivarem olhando para a porta, como se estivessem à minha espera.

Está decidido, vou até aí.

Uma voz, volta a falar perto do meu ouvido, como quem não quer interromper o que parece ser um interessante telefonema:

– O senhor vai precisar de açúcar?

Fiz sinal balançando o dedo, algo que queria dizer um pouco mais:

– Não amigo, estou saindo, todo o doce que eu preciso está me esperando em outro lugar.

Mimi, abra a porta. Eu estou chegando.

Escrito por Bryan Gabriel, colunista do Sábias Palavras.

Escritores3-01-01

FONTELiteratura Amarga
TEXTO DEBryan Gabriel
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