Ele te adora, mas não te namora. Sabia o por quê.

Vocês saem juntos na quarta, na sexta, no domingo. Dividem lençóis e piadas internas sobre uma mulher esquisita que acabou de passar na rua. Contam as estrelas na fazenda, acordam com mensagens carinhosas no telefone, saem com os amigos. Ele diz que você está linda em uma noite, pega na sua mão, te dá um beijo que a faz jurar por todos os pingos de chuvas já caídos na Terra que, sim, estão apaixonados.

Pois saibam que você pode até ter conquistado o pseudoamor da sua vida. Pode sim. Você é capaz, você realmente estava linda naquela noite com os amigos, você foi carinhosa, mas não melosa, você foi sexy, mas não vulgar, você foi difícil, mas não inconquistável, você foi realmente uma boa companhia. A culpa não é sua por ele não querer namorar com você.

Toda vez que esse filme se repete na minha vida ou na vida de alguém que eu conheço, volto pra casa pensando repetidamente sem parar sem virgulas sem pontos: onde está o erro?

Quando você diz que gosta de alguém, você não quer pegar essa pessoa e não soltar nunca mais? Não quer ela só pra você, com aquela exclusividade fofa e às vezes chata, que os namorados têm? Não quer que ela não olhe pro lado, que ela te dê satisfações, que ela saiba tudo da sua vida, que o que ela sente agora cresça aos pouquinhos no dia a dia, até chegar naquele ponto que os outros chamam de amor?

Não. Se essa pessoa possuir alguma coisa entre as pernas e alguns neurônios afetivos a menos, a resposta é não. Um sonoríssimo NÃO.

É difícil admitir isso, porque crescemos no conto de fadas onde o príncipe arranca suas tripas e seus corações do corpo para conquistar a princesa. Mas com as facilidades na arte da conquista que o mundo moderno oferece, fica impossível esperar atos megalomaníacos de outros. E os homens, por questões culturais ou hormonais, whatever, não possuem essa visão de amor romântico que tanto alegra e devasta a vida de nós, mulheres.

Graças a Deus. Imagina que louca uma sociedade cheia de mimimi e nhénhénhé? Afundaríamos numa crise mundial de DR ou de choro compulsivo.

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Acontece que existem aqueles momentos da vida em que os homens querem curtir com alguém (sim, eles são meio carentes e não sabem ficar sozinhos), mas sem a obrigação de perguntar profundezas ocultas da sua vida. Sem a obrigação de dividir os perrengues. Eles só querem um relacionamento leve, só querem uma pessoa alto astral e interessante ao lado deles para os dias serem mais divertidos. Só querem um bom e aconchegante sexo. É nesse momento que entra você. E eu, obviamente.

Ele pode se apaixonar e vocês se casarem e terem filhos e morarem numa casa cercada de graminhas verdes? Pode, claro. Mas ele pode não se apaixonar e continuar passando seus dias como se você fosse a última mulher da vida dele. E tomara que seja assim, também. Merecemos ser bem tratadas.

Acontece que quando o homem diz que “não quer namorar” ou “não está pronto pra se envolver”, a gente sente meio que uma vontade de rasgar a cara deles com gilette. Nos sentimos enganadas, usadas. Como se o cara fosse uma pessoa ruim, só por não querer assumir um compromisso com a gente perante a sociedade.

Às vezes o cara gosta de você, sim, e muito. Mas a prática cabecinha p&b masculina não consegue se ver abandonando a vida de solteiro por agora. Pode ser que ele seja desses que ficam reclamando que mulher não presta e quando trombam com uma bacana, correm para as colinas. Ou, no pior dos casos, ele pode estar querendo um relacionamento sério, sim (e o terá, em algumas semanas), mas não com você. Isso porque ele achou algumas qualidades na outra menina que são importantes para ele, que você não tinha. E isso não te torna uma pessoa indigna de amor, de forma alguma. Você provavelmente tem as suas qualidades, elas só não foram suficientes (ou você não teve tempo de mostrá-las) para o cara se amarrar.  Gosto é igual bunda, né?

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Homens, entendam uma coisa. Mulheres gostam de carinho, sim. Mas se importam com gêneros, com nomenclaturas, se importam em ter alguém para chamar de “meu”. Elas precisam de um pedido de namoro ou casamento pra se sentirem valorizadas. Então, se a sua mina mandar a real de que quer oficializar os que vocês têm, vale a pena pensar se você curte ou não ela para viver um lance desse nível, antes de sair gritando pros quatro cantos que é um solteirão convicto e não vai largar a poligamia. Quem tudo quer, uma hora fica sem nada.

E, meninas, entendam. Se você gosta de um cara e quer estar com ele, esteja. Mas tenha consciência de que a situação é extremamente cômoda e talvez nunca passe disso. Quem não quer ter a companhia de alguém legal pra ir ao cinema, dormir de conchinha, falar sobre a vida e, de quebra, ainda poder beijar e conhecer as outras seis bilhões e cacetadas de gente que tem aí nesse mundão?

Não se coloque de vítima, não. Se você tá disposta a bancar essa relação, porque gosta do cara, saiba que ela é bilateral. Todo mundo tá se divertindo. Bom, pelo menos deveria. O importante é nunca, jamais, perder o respeito de uma relação, seja qual for. Imponha-se e mostre o seu valor.

Agora, a gente entende muito quando você pensa que é um atraso de vida insistir em um relacionamento que não vai pra frente. A gente aqui não gosta de nada que não evolui, estagnado ou que dá passinho de caranguejo. Você ficaria em um trabalho que gosta muito, mas que não tem chances de crescer profissionalmente? Aliás, não crescer te torna uma péssima profissional? Às vezes você só tá numa empresa pequena, que não tem muito o que te oferecer.

Os dois lados da moeda podem ser aplicados em quase tudo na vida. Curta os momentos, crie experiências, tenha histórias para contar. É daí que se cria o seu valor de mercado. Mas depois, avante. Vá conquistar seu devido lugar na vida das pessoas que gostam de você e que você gosta.

FONTESem Caô
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