Ele é romântico, não trouxa.

Queria explicar uma coisa para a parte da sociedade que acha que sabe de tudo: ser romântico não é ser otário. O cara é romântico, não trouxa. Simples e seco, pra machucar a goela no engolir de quem ainda vê em homens românticos um temperamento submisso.

Deixa eu explicar: se o cara te escreve um texto bonitinho, não quer dizer que a partir do momento em que ele clica no enviar da sua janela, ele vira submisso. Demonstrar sentimentos não é sinal de fraqueza, não é ser vulnerável e tampouco ser saco de pancada e poço de paciência. Pelo contrário, quem demonstra sentimento é porque precisa, mas acima de tudo, é forte o suficiente para aguentar o solavanco e tem coragem.

A verdade é que existe um hiato bastante grande entre o ser otário e o ser romântico. Não é porque fulano é romântico que ele vai fazer aquilo tudo o que você quer, que ele vai fazer papel de cachorrinho de madame, abrir mão dos seus gostos, dos seus ideais. Longe disso. Ele te entregou um texto, um buquê de flores, não a dignidade dele. O complemento das flores era o cartão, não a dignidade. Ela nunca vai ser, nunca vai junto.

O problema é existe essa coisa da posse, as pessoas se acham donas umas das outras, mas não é bem assim. Nunca foi. Entenda que não valorizar é sinônimo de perder, minha filha, a fila anda. Anda pra todo mundo, sempre vai andar. Como eu disse, sempre há um grande hiato entre o ser trouxa e o ser romântico.

“Ah, mas ele me disse que quer casar, ter dois filhos, viajar para tal lugar”. Ta ok, mas e daí? Esse não é um sonho que ele é dependente da tua boa vontade para realizar. Entenda que querer e ser dependente são coisas diferentes. Entenda que nossos planos e nossa visão de vida é totalmente mutável, e eu espero que a sua mude após ler isso daqui. Não quero que por conta disso tu mude teu temperamento com ele porque ele é romântico, nada disso. Quero apenas que tu comece a valorizar isso ai que ele faz, e que entenda que a paixão não é pra sempre, nunca foi, uma hora acaba.

Ele é romântico, não trouxa. Então valoriza minha filha. Se liga, se manca; caso contrário a fila anda. Sempre anda.

Escrito por Júlio Hermann, colunista do Sábias Palavras.

Escritores-01

FONTESábias Palavras
TEXTO DEJúlio Hermann
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