Eu começo a pensar em sair com você e já me dá um calor, o coração acelera, vem aquela dor de barriga. E eu respondo com uma desculpa. Na verdade eu queria dizer sim e sair correndo pra te encontrar, mas fico presa no mesmo lugar, escrevendo e reescrevendo a mesma resposta que nunca envio.

Ouvi dizer que as pessoas reagem de duas maneiras ao medo: lutam ou fogem. Para muitas coisas eu sou do primeiro tipo, mas quando falamos de relacionamentos parece que passei a ser do segundo. E olha que nem é um relacionamento, mas de repente poderia ser e aí eu justifico esses tênis que uso todo dia.

Enquanto escrevia esse texto, recebi a notícia que um amigo do colégio faleceu. No meio de tantos casamentos e nascimentos, uma morte certamente é impactante. Trinta anos parece muito, mas não é. Mal acabamos de nos reconhecer como adultos, estamos tomando conta da nossa vida, não estamos prontos para morrer — se é que alguém um dia está pronto para isso. Será que ele viveu tudo que queria? Será que já tinha realizado pelo menos um sonho? Será que viveu com medo de tentar uma coisa nova?

Engraçado pensar que estou aqui calmamente escrevendo sobre estar paralisada de medo de alguma coisa e ele estar paralisado para sempre. Nunca mais nos falamos depois da formatura da oitava série, ainda nem sei como foi que aconteceu, mas mesmo tão distante é difícil não colocar as coisas em perspectiva. Se tivesse sido eu, você nunca saberia de nada disso. E eu nunca saberia como é sair com você.

Quando as pessoas falam que você nunca esquece de verdade uma pessoa até se interessar por outra, essas pessoas não estão brincando. Mesmo que a gente supere, as vezes bate aquela vontade de pensar em alguém e aí na falta de um nome para esse espaço em branco a gente busca o último que foi relevante. Taylor Swift é a dona da teoria do espaço em branco, segundo pesquisas.

Talvez eu seja uma pessoa horrível por usar esses dois temas num mesmo texto, mas morte sempre lembra de vida. E vida é essa coisa meio sem sentido que a gente não pode ter medo de encarar. Como um clichê que a gente evita mas no fim é obrigado a usar.

Coloquei tudo isso pra fora pra ver se me ajuda a dar um passo pra frente. Não sei se vai funcionar pra mim, mas quem sabe não funciona pra você? E aí pelo menos alguém vai ter vencido um medo bobo e vai poder sair citando Maiara & Maraísa: “se eu soubesse tinha feito antes”.

 

Escrito por Talita Crespi.

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