Do lado de dentro

Olha, se tem uma coisa que aprendi é que não dá para agradar a todo mundo. Ilusão acreditar que alguém é unanimidade. Sempre existirão pessoas que não gostam da gente, às vezes, até, sem razão ou motivo aparente. Elas simplesmente não gostam. Ponto. Não gostam. Não há o que fazer. Deve ser muito chato viver uma vida inteira se preocupando com tudo o que os outros pensam e falam sobre você. Sabe aquele tipo de gente que finge que acredita, que faz o que não gosta, compra o que não pode, dá palpite quando não precisa e tenta ser quem não é só para agradar?

Gente que vive buscando aprovação dos outros para tudo não é feliz de verdade. Desculpe-me, mas não é. Existe, hoje, uma necessidade gigantesca da aprovação alheia, como se tudo o que a gente fizesse na vida precisasse do “sim” do outro para fazer sentido. Ou para ter algum valor real. Escravos das opiniões de quem, na maioria das vezes, não está nem aí pra gente, vamos nos perdendo de nós mesmos e vestindo as máscaras de uma realidade forjada, que, a bem da verdade, pode ser cruel demais.

Quem eu sou? Do que eu realmente gosto? No que acredito? O que, de fato, tem real importância para mim? Indagações como estas são cada vez mais comuns na dita sociedade do espetáculo, na qual tudo parece se reduzir à imagem que os outros fazem de nós. Imagem. Porque nunca, em tempo algum, valorizou-se tanto a aparência das coisas como agora.

Se a solidão é o resultado de tudo isso, eu não saberia dizer. Mas não há dúvidas de que existe um vazio quase palpável em quase tudo o que nos cerca, como se a presença do outro, e do julgamento indireto que vem com ela, trouxesse ainda uma ausência de algo real, algo que se perdeu em algum lugar do caminho, algo que deixamos escapar de nós mesmos, nessa busca desenfreada pela aprovação de alguém.

A vida é valiosa demais. E o tempo corre rasteiro e invisível. De uma hora para a outra, o futuro já virou passado e tudo aquilo que fizemos ou deixamos de fazer ficará apenas na lembrança. Se as suas escolhas serão motivo de orgulho ou arrependimento, eu não sei. Só sei que as pessoas mais felizes que conheço são aquelas que entenderam que o valor real de todas as coisas não está lá fora. Ele está ali, do lado de dentro.

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