Detalhes de um namoro

Lá vem ela. Andar agitado, bolsa suspensa no ombro direito e pés distanciando-se a cada meio metro em sua caminhada. Com pressa, sobe a rua, demonstrando um equilíbrio entre o medo do imprevisto e a saudade sentida. Preocupada com sua segurança, ela é dessas que prefere não marcar bobeira, titubeando entre passos leves e inquietos, mas sempre disposta a se arriscar se for pra reencontrar o seu amor.

E esse é o início de cada um de seus finais de semana, conturbados por serem o alívio de sua rotina, estáveis por serem o resultado do que, ela sabe, seria perfeito se fosse o seu dia a dia. Não é de seu feitio admitir o quanto gosta de estar aqui, entre um abraço apertado e um seriado rolando na tela do aparato em minha sala. Porém a sua presença exala um ar de conforto, o que a denuncia. Seu sorriso contido e discreto sempre a denuncia.

Em nossos encontros, dividimos possibilidades, assim como dividimos momentos – e de tanta troca e tanto afeto, nos pegamos sabendo e sentindo o que queremos saber e sentir, vivenciando o que esperamos e o que, embora recorrente, sempre nos surpreende: nossa capacidade de driblarmos as dificuldades e superarmos cada obstáculo.

Compartilhamos de sinais, somos um livro aberto um ao outro. Nessas consultas rápidas em suas páginas, aprendi a perceber quando ela não quer realmente dizer não, e quando o seu sim é uma resposta pra toda a vida. Nos exploramos e brincamos com nossos pensamentos. Jogamos verde, e quando colhemos maduro acabamos por dividir cada fruta que brota de nosso amor.

Inquieta e desejante de mais carinho e atenção, basta alguns reclames e dedos apontados para que eu entenda logo que nosso objetivo é estarmos lado a lado. E ela me chama. E ela me convence. Ela me prova que está certa, pois seu olhar atento ao que importa demonstra sua preocupação com o mais pequeno e imperceptível dos detalhes, porque o que ela busca e me faz buscar é a qualidade. Qualidade de verdade, dessas que só existe quando sabemos dialogar e mensurar o que vale ou não a pena relevar, o que diz ou não respeito ao nosso bem-estar.

É que ela sabe o que quer, e pede, e busca, e reclama, e dá um jeito de conseguir. O que ela quer é me fazer sorrir, e com ela me divertir. O que ela quer é flutuar entre sonhos, e os compartilhar. Ela quer bobear ao meu lado e viver cada momento e cada sentimento como se fosse uma última oportunidade.

Ela me ama, e eu a amo, de verdade.

 

FONTEAmor Ano Zero
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