Desperdício não é dar amor

Entre todas as “zilhões” de voltas que o mundo dá – rodando de um lado para o outro, mais que a música do “lek lek” e o pior, mais do que saia daquela baiana – ela sempre acaba sozinha. Ela, suas lembranças frustradas e o coração partido.

Uns falam que tem um gênio forte, outros que sua independência assusta os homens, que é estonteantemente bonita, independente ao extremo para dar satisfações e inteligente demais para ser enganada. Ok.

Talvez a solidão dela é proveniente de um “trabalho” em no mínimo 34 encruzilhadas e uma coleção de galinhas pretas. Talvez ela tenha defeitos obscuros ou chulé. Não tome banho, tenha cáries, mau-humor permanente, verruga ou talvez até algo pior.

Falam, falam, falam, falam tanto, que ela quase acredita…

Ela sempre teve boas histórias de amor, novelas mexicanas e dramas chatos, daquelas longas, rápidas feito um cometa, e de muitas, mas muitas moitas ocupadas e desocupadas, de vai e vem que nunca voltam.

Envolveu-se com pessoas de todos os tipos, os que trabalhavam em circos e sumiam em passes de mágica, que trabalhavam em novelas mexicanas e aqueles que trabalhavam em filmes do 007, fugiam dela como o diabo da cruz.

Histórias mal acabadas, nem começadas. Situações típicas em meio a DRs de relacionamentos que nunca existiram. E a história do dedo podre, ah, essa é dela. Que vergonha!

Nunca foi de desistir fácil, mesmo quando aquele dedo – o dedo podre – apontava pela décima vez para o sortudo – diga-se vítima – errado. Ela era a verdadeira brasileira nata, não desiste é nunca.

Sempre esgotou as possibilidades, um não, dois, no terceiro: vamos embora, larga esse mané! Afinal, ninguém aqui é tapete pra ser tão pisada, né?

Ela dava a cara a tapa, caia, sofria alguns arranhões, já até quebrou o braço, mas não desistia se houvesse aquela luz no fim do túnel, mesmo sendo mais comprido que a linha do Equador.

Ela sempre fez tudo que pode, por ela, por eles, até a última chance. Até ouvir aquele não doído, que cortava mais que uma faca de serrinha.

Ela nunca foi do tipo de se doar pouco, se doava muito, amava muito, tentava muito, e por fim, era uma “ferração” sem fim. Mas e daí, ela nem se importava.

Ela sabia que seu coração seria partido por muitas vezes ainda, mas não era por isso que ela desistiria de acreditar. Até que tentaram a fazer pensar que dar amor era desperdício. Ela quase acreditou.

Nesse vai e vem, daquela vida amorosa mais tumultuada do que a fila do SUS, ela não aprendeu muitas coisas sobre o amor, mas uma das poucas coisas que ela aprendeu é que dar amor nunca foi desperdício, e sim, desperdício dos grandes, era não saber receber.






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