Desligue o seu piloto automático

O dia foi corrido e você não fez mais que correr em favor das tarefas? As horas voaram e você nem percebeu? Chegou a noite e você não quer mais que descansar, dormir e, quem sabe, não acordar mais? Tô ligada. E você também, não é? Aliás, presumo aqui que você possa estar ligada até demais, sabe? Não. É claro. É que diante de tantas circunstâncias, afazeres e agenda lotada, minha cara, não há como perceber que a sua energia já está alcançando o limite. Ou até dá, mas você não pode fazer nada, não é? Não é. Você pode e deve.

O relógio despertou logo cedinho. Você já pulou da cama como quem está fugindo de alguém, mas era apenas sua agilidade perante os trampos da vida, certo? Então, você corre para não perder o busão, corre para não perder a ligação, para não deixar o arroz queimar e a chuva molhar a roupa no varal. Para não perder a aula, o dia de serviço, a fila do supermercado, a hora. Porque você não pode perder o pique e precisa estar, de qualquer forma, agindo. Ora, é o que a vida impõe, não é? Sim, respondo, com fé de que realmente seja. Mas indago:

Será que é só isso?

Acontece, minha cara, que nós estamos tão ligadas no piloto automático que, por mais que queiramos nos permitir viver novas experiências, não vivemos. O dia é tão cheio de cheiro de comida feita às onze em ponto, de relógio berrando logo de manhã bem cedinho, de pessoas vindo e indo almoçar no mesmo horário, de televisão ligada o dia inteiro transmitindo qualquer bobeira, de troca de palavras, de troca de experiências, de suor e ideias, que não nos damos conta de que estamos dentro de uma roda gigante onde o cotidiano vai nos maltratando aos pouquinhos.

Mas você não percebe, porque está ocupada demais se ocupando do chão que precisa ser varrido e da comida que precisa ser feita. Do dentista que marcou faz duas semanas e até que enfim que chegou o dia. Da ração do cachorro, do quintal que precisa varrer, da xícara de açúcar da vizinha que precisa devolver. Da conta que já está vencendo. Do banheiro que precisa lavar, da roupa que também precisa lavar e de mais um tantão de coisas que você ainda precisa fazer.

Entretanto, minha cara, uma hora você vai ter que parar. Porque, por mais coisas que você tenha para fazer, uma hora você vai precisar colocar os pés para cima e descansar. Você vai precisar de um dia de sol, de um dia de paz, de um dia onde possa ficar apenas observando o tempo passar. Vai precisar relaxar. E tomar coragem para tirar os sonhos do fundo da bolsa e tentar vivê-los. É que sempre existe uma vontadezinha aqui e alí do que fazer um dia, sei lá, você deve saber. Por exemplo, eu adoro viajar, e é como se isso fizesse parte da minha energia, sabe? De tanto que vivemos buscando cumprir a agenda da vida, uma hora precisamos repor as energias que são tão massacradas durante o dia. Talvez esteja na hora de você se reabastecer.

Reponha o sorriso dolorido de tanto forçar a barra pra aquela piada chata do seu chefe. Reponha a mente cansada de tanto resolver os problemas do dia-a-dia. Reabasteça o fôlego da vida, o suspiro de alegria, a vontade de fazer o que quer. Reabasteça sua forma de ser você, porque de tanto andarmos por aí de modo automático, acabamos perdendo um pedacinho de nós em cada situação. Se reencontre, vai. Reencontre aquele sonho antigo que você não teve tempo de correr atrás. Use o resto de energia que sobrou para buscar algo que possa te fazer sorrir suavemente, sem esforço, sem suor, sem culpa, sem dores, sem problemas, sem pressão, sem hora a perder, sem promessas.

Relaxa um pouco, vai. Vai que você precisa abastecer sua força e ir de encontro com a vontade inusitada que vier a mente. Tire férias, não somente do trabalho, mas dos problemas também. Esqueça as decepções, as frustrações e, principalmente, o medo. E saia em busca de realizar algo novo que possa melhorar esse seu astral e te mostrar que, mesmo diante das tarefas e circunstâncias da vida, nós sempre podemos parar um pouco, respirar fundo e voltar a sorrir.

FONTESuper Ela
TEXTO DESâmela Faria
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