Hoje eu quero falar sobre desistências.
Nasci pro teatro. Pra atuar. E não tenho nenhuma dúvida disso. Desde o ensino fundamental tenho verdadeira paixão por apresentar trabalhos, facilidade para decorar textos e incorporar qualquer sentimento em minha alma. Passei dezenove anos sonhando com isso e ouvindo de todos os lados que não daria certo. Conselhos, opiniões que eu nunca pedi, medo, cobranças, e por aí vai. Em março do ano passado comecei a fazer aulas básicas de interpretação, jogos corporais, etc.

 

Foi uma experiência magnífica. Passei para o módulo intermediário. Apesar de toda correria, estresse, e falta de tempo era naquela sala 402 em que eu me sentia viva. O módulo intermediário acabou e os próximos ocorrem em dias de semana à noite. Eu estudo. Trabalho oito horas por dia. Sem chance.A primeira coisa que eu queria dizer é que: tá tranquilo, a gente não precisa morrer insistindo em algo que nasceu pra não dar certo. Desistir faz parte da vida. Do mundo.
Talvez a pior parte seja quando me perguntam sobre o teatro. Se vou voltar, e se um dia eles me verão novamente em cima do palco. Das vinte e quatro horas do meu dia, dezoito eu passo acordada trabalhando, estudando e dentro do ônibus. Dessas dezoito horas, eu dou meu máximo para não lembrar da sensação pré apresentação. E aos pouquinhos tudo fica menos dolorido. Já tenho respostas prontas quando me perguntam, já sei sorrir de leve e desviar o assunto – sou boa nisso – e talvez a decisão mais sensata e coerente que eu já tomei na vida adulta: aceitar.
Quando a gente finalmente aceita a vida como ela é, tudo fica menos melancólico. Uns dizem que me falta coragem, outros dizem que uma hora vai acontecer, e tem pessoas ainda que dizem que estou certa. Desistir não é tão ruim assim.
Faço faculdade de Estética e Cosmética. E sou apaixonada por isso. A arte pode estar em todo lugar, cada vez mais acredito nisso. E desde que comecei a ver as coisas com outros olhos, tudo ficou menos pesado.
Isso serve para pessoas que deixei irem embora. E isso só me deixou mais leve. Insistir em alguém que só quer ficar longe é burrice. Só sinto falta de quem foi embora porque não teve escolha. Quem foi embora porque quis me fez um favor. Amizades, paixonites, e até parentes. Não vejo sentido prender alguém que não é feliz na nossa presença. Isso é apego.
Vocês vão me perguntar se eu ao menos tento. Sim. Eu tentei muito. Quis muito. O teatro, as amizades, os amores… Mas uma hora a gente cansa. E aprende a se preservar. Deixar ir. Aceitar. E ser grato pelo que deu certo, ser grato por quem ficou.
Escrito por Bendita Cuca
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