Desacreditar no amor é burrice

Em meio às minhas verdades incertas, desenho amores com caneta fluorescente na alma de quem só quer um. Todo rabiscado, brinco de amar e desamar pessoas que nem conheço. Imagino cenas e roupas jogadas ao chão de casas em que nunca vivi. Dispo mulheres que nunca conheci e cedo-lhes orgasmos que nem sei se existem. Por isso as amo. Amo por não saber se existem. Mas o que é o mundo senão amar a possível existência do amor?

Ingênua ânsia essa de encontrar um sorriso vizinho que vire amor maior e enlouqueça a alma em busca do desconhecido. Por mera confusão, se o amor só existir para ser escrito em verso e prosa, ele já existe pra mim. Sem interrogações, sem definições, sem dizeres estipulados, sem tamanhos ou dimensões tangíveis.

Amor de fases na vida de pessoas comuns, que começam acreditando fidedignamente em seus alicerces e depois são surradas, aprendendo, na marra, que amar é viver e viver é tapa na cara. Assim, é normal achar que talvez ninguém mereça o seu real afeto e acabar anulando qualquer nova tentativa de desfibrila-lo. Mas, de repente, um dia, no auge da maturidade, você descobre que desacreditar no amor é desacreditar na autenticidade da vida.

Desacreditar no amor é burrice, ter dúvidas sobre a sua existência é passageiro, mas querer vivê-lo sempre será vital. Amor que, até hoje, ninguém sabe como se veste ou respira, só que existe. Miseravelmente, precisamos da sua essência para crer em futuros sorridentes e preencher os questionáveis rasgos nas cortinas da vida. Que nesses amores que procuramos dentro de nossas conchas medrosas encontremos a coragem para nos abrir sempre que um olhar de alma disposta passar por nós. E, acredite, sempre passa…

Fonte: Frederico Elboni

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