(Des) Conectados

Em uma época em que o universo é tomado por facebook, whatsapp, aplicativos para encontros e redes namoro, eles decidiram se desligar. “Sumiram do mundo” como diriam os mais nerds. Olhares mexiam muito mais que mensagens e ouvir a voz dela satisfazia muito mais que qualquer emoji que viesse na tela do seu celular. Quem foi que inventou que uma mensagem de áudio satisfaria mais que um abraço apertado? Quem foi que disse que mexer os músculos da mão para digitar satisfariam tanto quanto os milhares de músculos que o corpo mexe durante um beijo?

Eram um casal desligado do mundo, mas ligados (e muito) um no outro. Se conheciam como ninguém, ele sabia os detalhes do corpo dela, cada pinta, cada local que arrepiasse ela. Ela sabia das falhas na barba dele, de onde seus arranhões eram capazes de mexer com ele. Um abraço transmitia muito mais que qualquer rede wireless e um beijo, convenhamos, deixaria qualquer bluetooth com inveja.

Celular, televisão, energia? Não, um cobertor e o conforto do sofá, ou da cama, resolveriam a saudade, nada era mais eficaz do que ter um ao outro, juntos. Sem pitacos, cutucadas, opiniões e qualquer outra ideia externa que tentasse separar um do outro. Sem chamadas de atenção, eles dedicavam a atenção a eles mesmos, sem essa história de “touchscreen”, de toque, bastava a forma como um sabia tocar o coração do outro. Muito mais do que qualquer declaração nas redes sociais, do que qualquer foto para fingir felicidade, mais do que qualquer outra coisa, para quem enxergava aquele relacionamento de fora, era fácil dizer e insistir que longe da tecnologia, eles estavam desligados.

Mas errava quem tinha essa opinião, ninguém sabia que dentro daquele mundo, longe de qualquer excesso de informação, existia algo muito mais forte entre os dois:

Uma forte conexão.

Escrito por Bryan Gabriel, colunista do Sábias Palavras.

Escritores3-01-01

FONTESábias Palavras
TEXTO DEBryan Gabriel
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