Deixa ela viver

Não dormi naquela noite. A angústia já tinha tomado conta da minha alma e num lapso racional entendi que ela não poderia tomar conta da minha vida. Tranquei a porta do banheiro e me olhei no espelho. Enxuguei as lágrimas. Vesti uma peça florida, caminhei pela casa me despedindo de tudo, bati a porta e saí para viver!

Algumas coisas não valem a nossa paz, sabe? Não valem a nossa gargalhada no meio de uma ligação de fofoca, o porre de prosecco numa quarta-feira de chuva, o caranguejo no sábado à tarde com a melhor amiga. Não vale o nosso direito de ir e vir. Entregar o próprio destino nas mãos do acaso é perder sua identidade. E eu lutei muito por ela, para permitir que isso acontecesse assim, do nada. Eu não, eu me respeito!

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A luz que brilha aqui dentro vibra amor, mas reluz amor-próprio. Reciprocidade e educação caminham juntinhas, e quando falta um desses ingredientes, minha amiga, não há receita que dê certo. Não mesmo. Desde quando entendi a Mulher que sou não é qualquer meninice que me desestrutura.

Conheço meu valor. Mais do que isso, conheço os meus valores. E reconheço-os diariamente, seja dentro do meu lar ou na companhia de quem me conhece de verdade. De quem conhece a minha essência. Que chegue até a minha vida apenas aquilo que for me fazer ser ainda melhor. Se não for para me impulsionar, que tome mesmo o caminho de volta. E me deixe viver!

FONTEDona Oncinha
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