Confesse: O mundo seria muito chato sem as mulheres

Confesse: O mundo seria muito chato sem as mulheres
Por: Karen Curi
Publicado originalmente da Revista Bula.

 

Neste exato momento casais apaixonados juram amor eterno, se casam cheios de sonhos, munidos de absoluta certeza de que viverão o encantamento eterno e o amor incondicional. Em outro canto, homens e mulheres em pé de guerra atiram ofensas e se viram de costas, maldizendo o amor e o tempo perdido. Uns se separam enquanto outros se unem. As razões são infinitas, os motivos, particulares. A vida é de uma imprevisibilidade assustadora.

Tudo é transitório. A todo instante pessoas são demitidas de seus empregos, enquanto, em algum lugar, trabalhadores são promovidos à outros cargos. Tanta gente morrendo mundo afora e outras tantas crianças nascendo neste mesmo planeta traiçoeiro.

No vai e vem dessa corda bamba, uma coisa é certa: a vida funciona como um elástico. Em uma ponta está a mudança, e na outra, a constância. As duas são imprescindíveis, e uma complementa a outra. Mudanças significam instabilidade, desordem, mas também podem ser extremamente motivadoras! Por outro lado, a constância, ainda que estável, ao mesmo tempo é cansativa, e não leva à lugar algum. Zygmunt Bauman, sociólogo, já tinha dito que “segurança sem liberdade é escravidão e liberdade sem segurança é um completo caos”.

Enfim, sem sombra de dúvidas que todo mundo precisa de mudança para não estagnar, e também de constância para ter firmeza. Sobretudo nós, mulheres, seres de marte, criaturas insatisfeitas, indecisas, falastronas, reclamonas, idealistas… Sonhamos para não morrer de tédio. Nos agarramos ao certo para não sofrer com o duvidoso. Quem nos entende? Nem nós mesmas. O difícil, nisso tudo, é encontrar o equilíbrio entre ir e ficar.

Então, você decide ficar. E mesmo que você não queira mudar, a vida muda por você. É isso mesmo. Tanto faz o que você quer. A mudança escolhe por você. Aliás, ela escolhe você.

No fim das contas a gente acaba se transformando por tantas razões… Mudamos porque estamos infelizes, porque nos cansamos da mesmice, porque desejamos outra coisa. Mudamos, tantas vezes, porque não temos mais saída. Mudamos através de exemplos, e porque identificamos o queremos para nós e, também, o que não queremos. Mudamos porque temos esperança num amanhã melhor. Mudamos porque o hoje já não nos satisfaz.

Eu acho que nós, mulheres, nos modificamos tanto porque não conseguimos lidar com a chatice de ser sempre a mesma coisa, de ter sempre a mesma opinião, de fazer tudo de um mesmo jeito. Queremos variar de estilo, trocar de rádio, de companhia, de país, de profissão, de gosto. Um dia amamos o preto, no outro, estamos apaixonadas pelo amarelo. Somos inquietas e sossegadas. Impacientes, revolucionárias. Passivas, permissivas.

Inconformadas e, por isso, sonhadoras. Acreditamos que as coisas podem, sim, se aperfeiçoar. Nos desviamos vez ou outra do caminho em busca de uma nova saída. Estamos sempre atrás da felicidade, mesmo quando decidimos ficar, ao invés de partir. Porque nem sempre a satisfação está no voo. Ela pode estar dentro da gente, ainda que momentaneamente. O nosso conforto é caçar o que nos faz feliz.

Não importa se vamos caminhar, voar, ou simplesmente sentar e esperar. Entre o movimento e letargia existe um ser que está sempre à procura da plenitude.

Prazer, eu sou mulher: a constante inconstância em busca de mim mesma.

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