Coisas melhores que ligar pro ex

Tava eu, aqui, lendo o Twitter hoje de manhã quando me deparei com a seguinte pesquisa: “‘Hello’, de Adele, inspira 64% das mulheres a falarem com ex-namorado” e só consegui

miga-nãoMiga, não

Depois dizem que a cultura pop não nos influencia, que exagero. Influencia, sim, e pra ajudar a superar essa ideia errada resolvi reunir uma lista de coisas melhores para se fazer inspirada pela Adele que ligar pro ex:

Cantar no chuveiro

cantar

Adele tem uma baita voz mas, se vocês forem como eu e não como ela, também vão cantar mal pra caramba e achar que estão arrasando. E o melhor a se fazer nesses casos é não sentir culpa pelos ouvidos alheios e: arrasar no chuveiro, ter muito sentimento no karaokê e, por que não, deixar sair essa diva no meio da sala, sozinha.

Copiar os looks

adeleDesculpa, gente, mas se eu tivesse esse casaco a última coisa que ia querer saber era de ex. Ia estar me aprontando pra sair por aí desfilando charme e glamour.

Piadas nas redes sociais (ou fora delas)

 

Fazer um disco de dor de corno

Discos de dor de corno estão entre os melhores discos do mundo, já notou? Seja melancólico ou despeitado, seja Bob Dylan, Blur, Arnaldo Baptista, Ben Folds Five ou, por que não, tu. Vão-se os amores, ficam as músicas maravilhosas.

-X-

Mas agora falando sério. É normal (e inclusive muito bom) curtir música (e livros, filmes, etc) e se sentir tocada por elas, mas a vida é diferente da arte. O Vonnegut explicou isso assim:

Por termos crescido cercados por histórias com grandes arcos dramáticos, em livros e filmes, acreditamos que nossas vidas devem ser cheias de imensos altos & baixos! Por isso pessoal simula que existe drama onde não existe nenhum.

O que ele quis dizer é que normalmente os nossos altos e baixos não são tão extremos, 90% do que vivemos é o cotidiano e não tem nada errado nisso, pelo contrário, pode ser algo bem foda. Mas não estamos acostumados com essa ideia, queremos dramas e situações exageradas. Só que no cotidiano, na vida, o amor se cria todo dia e em conjunto, não sozinha e desesperada “socorro, me atende”.

E é sempre bom lembrar disso porque nós, mulheres, achamos que temos que “consertar” tudo, que temos a obrigação de fazer os relacionamentos “darem certo”, de fazer os caras dialogarem, de fazer o “amor vencer no final”. Só que o amor não é um maratonista, ele é um processo no qual duas pessoas (ou mais) embarcam e o amor se nutre de respeito e vontade de fazer dar certo. Não é a toa que, contra esses 64% de mulheres que se sentiram inspiradas depois do vídeo da Adele, só 17% do s caras sintam saudades das ex. Nós achamos que o amor é uma função solitária e é nossa, eles acham o mesmo. Mas não é, não.

Por exemplo, vocês já prestaram atenção no que ela diz? Vou traduzir freestyle um trecho:

Eu devo ter ligado umas mil vezes
Pra te dizer que eu sinto muito
Por tudo que eu fiz
Mas quando eu ligo tu nunca
Parece estar em casa

Bom, dica, se o cara te evita ele não quer falar contigo, sabe? E, novamente dica, todo mundo faz merda mas apenas os fortes dialogam, lidam e aprendem com isso. O que me lembra um negócio que uma amiga me disse esses dias: “sempre ouvi que amor era pra se dar sem pedir nada em troca, mas agora acho que só existe amor quando existe troca”. Isso é uma coisa que deveria ser óbvia, mas não era pra mim e não parece ser para quem pensa em ligar para o ex, desesperadamente, com o cabelo ao vento.

dsclp

Então, ainda que um gesto dramático fique mais bonito no vídeo, na vida real tem o depois. E depois que ele atender e vocês conversarem? E depois que vocês voltarem? E depois? Mas isso só devia nos fazer olhar pro amor da vida real como uma coisa muito mais bonita e rara: ele pede duas (ou mais) pessoas com dedicação, afeto, respeito, cuidado. Ele pode não ser épico como o vídeo da Adele, mas vê Netflix contigo.

E se não for bom, também, de que serve? Adiante que melhora, colega.

FONTELugar deMulher
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