Ciúme à vista: até que ponto esse sentimento é saudável?

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É raro encontrar alguém que, ao menos uma vez, não tenha experimentado uma pontinha de ciúme quando, por algum motivo, se deparou com uma possível “ameaça” – real ou fantasiosa – em seu relacionamento amoroso. “Tão controvertido quanto complexo, esse sentimento de insegurança pode envolver medo, raiva, angústia, desconfiança e ansiedade”, destaca Thiago de Almeida, psicólogo especialista no tratamento de dificuldades amorosas e autor do livro “Amor, Ciúme e Infidelidade: Como Essas Questões Afetam Sua Vida”, da Editora Letras do Brasil (SP). O grande problema, na verdade, começa quando ele ganha proporções que prejudicam a rotina (e, por que não, nossa sanidade?). Para melhor compreendê-lo, convocamos especialistas para jogar luz nesse assunto tãããão delicado…

A origem de tudo

Segundo Simone Costa, psicanalista e professora do Centro Universitário Celso Lisboa (RJ), o ciúme aparece pela primeira vez lá na infância, durante as primeiras interações com a família. “Trata-se de uma reação natural. No entanto, crianças que sofrem com a falta de atenção nesse período são potenciais candidatas a, posteriormente, vivenciarem a versão mais amarga e excessiva desse sentimento”, completa Teresa Amorim, psicóloga e palestrante (RJ). Isso porque tal negligência pode resultar em insegurança e ausência de autoestima – alguns dos principais pilares do ciúme excessivo, que destrincharemos no tópico a seguir. “Outros traumas, como descobrir que alguma das figuras paternas cometeu traição, por exemplo, também contribuem para esse quadro”, avalia Thiago de Almeida.

Ciúme saudável x ciúme excessivo

“O termômetro que determina o grau de ciúme é o nível de ansiedade e sofrimento causados por ele”, explica Teresa Amorim. Para Simone Costa, é ok ficar enciumada quando seu date marca uma saída à noite só com os amigos ou dá uma olhadela para o lado – afinal, faz parte do instinto humano a preservação, o cuidado e a atenção com quem amamos. Mas, se o sentimento começa, com frequência, a provocar estresse e desgaste entre os pombinhos, é hora de preocupar-se. “O comportamento de um indivíduo com ciúme excessivo se torna irracional e perturbador. A desconfiança pode resultar na invasão de privacidade e, a partir daí, tornam-se comuns as perseguições e o hábito de ‘xeretar’ os pertences do companheiro – tudo para, de forma obsessiva, detectar possíveis provas de que houve traição”, exemplifica Thiago de Almeida. O pior é que, geralmente, o ser ciumento nem se dá conta da gravidade da situação – que, em muitos casos, leva a brigas com violência física e até mesmo crimes passionais. “Quem percebe que o ciúme deixou de ser normal é, muitas vezes, o parceiro – ou outras pessoas que convivam com o casal”, aponta Nazaré Costa, psicóloga e membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (SP).

Mas eu não confio no meu parceiro… E agora?

Joguemos as cartas na mesa: isso não é desculpa para desperdiçar o seu dia procurando evidências que atestem infidelidade, certo? O que fará a diferença e contará pontos nesse caso é, certamente, o diálogo. “Proponha uma conversa franca com seu companheiro para descobrir se há, de fato, alguma razão para tamanha desconfiança”, sugere Simone Costa. Muitas vezes, tudo pode não passar de uma invenção da cachola, saca? “Buscar ajuda psicológica para resolver situações inacabadas do passado, que possam ter resultado em falta de amor próprio, por exemplo, também é uma boa saída”, indica Teresa Amorim. É crucial lembrar que, sem confiança mútua, não há relacionamento. Não bota a menor fé no cara que está ao seu lado? Então, não vale a pena continuar com ele, seriously.

#Comolidar

Acredite: se o seu ciúme passa de qualquer limite, você pode, sim, sair dessa. Além das dicas acima, há diversos outros recursos que podem ajudá-la nesse processo. Vamos refletir? Siga as direções:

– “O primeiro passo é identificar se você não manifesta o seu ciúme só porque, dessa forma, ganha a atenção do amado – mesmo que seja só para discutir e provar que está errada. O segundo é aprender novas maneiras de lidar com situações que a deixam insegura”, afirma Nazaré Costa;

– “Certifique-se de que não está projetando os seus desejos no outro”, aconselha Simone Costa. Muitas pessoas usam esse mecanismo sem perceber: pensam em trair, mas, de alguma forma, transferem a culpa e passam a acreditar que o parceiro é quem está pulando a cerca. “O problema pode estar com você, e não com seu par”, endossa Thiago de Almeida;

– É simples: quanto mais respostas buscar para confirmar ou não uma possível traição, mais ficará presa a essa armadilha. “Por isso, procure explorar o lado positivo de seu relacionamento, e dê menos ouvidos às dúvidas e aos medos”, sugere Nazaré Costa;

– Valorize-se sempre! “É fundamental resgatar a autoestima e colocar-se em primeiro lugar, além de ter a consciência de que você deve existir sem depender do outro. Busque interesses diferentes, afinal, é possível amar e ser amada mesmo quando os dois não pensam igual”, diz Teresa Amorim. O papo é sério: isso pode deixar a relação muito mais cativante e proveitosa;

– Não, você não precisa abolir aquela ciumeira saudável da sua relação. “O importante é diminuir os danos negativos que o excesso traz a ela”, esclarece Nazaré Costa;

– Ocupe o dia com atividades prazerosas, que distraiam sua mente e tirem de cena os pensamentos obsessivos. Reservar um tempo para si mesma só lhe trará benefícios: além de se dar a chance de fazer o que gosta, você terá um tempinho para espairecer, respirar fundo e, por que não, reavaliar as atitudes? Lembre-se: sufocar o parceiro não ajuda em nada (só tumultua ainda mais!) e tampouco evita traições…

FONTETãoFeminino
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