Chega de violência doméstica! Crime passional não é amor!

Você escorregou em um tapa…

A maior humilhação que eu poderia passar! Ninguém, nem meus pais haviam virado a mão na minha cara. Mas você… Você foi o autor dessa proeza.

Eu sei, você ficou nervoso, eu não sou fácil de lidar, bipolar, ciumenta, carente. Assim que você deixou seus dedos marcados no meu rosto, se arrependeu instantaneamente, ficou sem fôlego de tantas desculpas que pediu, me implorou perdão, chorou, prometeu que nunca mais iria acontecer.

Queria entender porquê não contei pra ninguém.

“E a marca que ficou?”

Disse que bati o rosto no box do banheiro. A desculpa mais ridícula que dei em toda minha vida. Ninguém desconfiou, ou ninguém quis falar que sabia que eu tinha apanhado de você… Todo mundo acreditou na história do box… Com o passar dos dias, eu também me esforcei pra acreditar nela. Queria me esforçar de qualquer jeito e maneira pra acreditar que o homem incrível, de personalidade singular por quem eu havia me apaixonado, não havia sido o autor da pior humilhação que eu poderia passar.

Depois daquele dia você agia como se nada tivesse acontecido, me tratava do melhor jeito possível, tentava me agradar com bobagens baratas e com orais repugnantes. Eu estava sentindo repugnância de você – embora não quisesse.

Tentei fingir… Mas não é algo fácil de esquecer, sabe? Sempre me vem à memória. Lembrar de uma dor e criar uma nova e sofrer tudo novamente. é como arrancar a casquinha do machucado e nunca deixar sarar.

Você que tá lendo este texto deve estar pensando:
“Como assim? Por que não largou?”

Eu tinha medo, gostava dele, queria acreditar que havia sido um pequeno deslize. Só que ontem a gente brigou de novo…

Entretanto, você não me deu um tapa! Acertou minha cabeça contra a parede. Espancou cada pedaço da pouca dignidade que me restava, me despiu o respeito… Fiquei nua de vergonha!

Com raiva de mim mesma por permitir que você me tratasse dessa maneira nojenta, queria retrucar, queria ralar sua cara no muro chapiscado do vizinho, por deus, eu queria te ver morto.

Não era só a cabeça que doía, doía tudo… Queimava de indignação por dentro.

“QUEM É ESSE FILHO DA PUTA? E COMO EU ME APAIXONEI POR UM LIXO DESSE?”

Apesar de cada fibra muscular do meu corpo querer te machucar, eu gostava de você, havia uma infeliz parte em mim que não conseguia ver todo o ridículo que você era! Mesmo sendo um animal grotesco, algo em mim ainda tinha esperança.

“ESPERANÇA DE QUE, CACETE?” Não sei! Só sei que não conseguiria nunca retrucar a violência cometida.

Porém, há uma coisinha que você precisa saber.

Apesar de gostar de você e tal, EU ME AMO MAIS! E não sou obrigada a aturar esse tipo de atitude de ninguém! Não somos bonecas pra fazerem o que bem entenderem. Somos de carne e alma. Nenhuma mulher é! Nenhuma mulher é propriedade do homem para que este se ache no direito de agir de forma escrota com ela!

Tô cansada de aturar essas grosserias ridículas, suas pequenas violências acobertadas por carícias baratas.

Não sou sua! Apesar de uma parte de mim ficar passando videos de memórias na minha cabeça, de como nos conhecemos, de nossos bons momentos juntos, das suas qualidades (que agora parecem tão miúdas), eu não posso e não quero aceitar esse tipo de humilhação, nenhum amor do mundo é capaz de suportar esse tipo de coisa.

NENHUM AMOR DO MUNDO DEVE ACEITAR ESSE TIPO DE COISA.
Até porque quem ama jamais agiria com tamanha agressividade.

Então, querido. Eu não vou revidar, não quero me igualar à sua atitude animalesca. E, de fato, algo em mim ainda te ama, mas muita coisa dentro do meu ser te repugna com todas as forças possíveis. É um conflito interno muito delicado.

Mas além disso quero que você saiba que: EU NÃO PRECISO DE VOCÊ! Não preciso aturar sua frieza, ignorância, arrogância e violência por causa de uma reciprocidade medíocre. Posso ser autossuficiente nesse ponto? Posso. Posso ser feliz sem você!

Não preciso aturar essas atrocidades pra chegar num almoço de família e todos verem que minha vida deu certo e que estou feliz. Chega de manter imagens. Tô debilitada!

Ah, mais uma coisa. Troquei a fechadura e deixei suas roupas na garagem do prédio!

“SEM ELE… QUEM É QUE VAI AMAR VOCÊ, MULHER?”

Eu! Eu vou me amar!

TEXTO DEPaula Valentine
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