Carta ao amor

Olá querido sentimento bom!

Espero que o teu coração esteja doce como só os bons corações sabem ser. Sabes, há gente que nem sempre se lembra que é bom ter coração da mesma maneira que nem sempre lhe dá ouvidos nem deixa que ele fale, sare e se abra. Talvez um dia o tenham magoado e por isso prefiram resguardar-se. Vão muito pela mente e são demasiado racionais. E em contrapartida, há aqueles que mal acordam vestem simplesmente o seu. Magoados ou não. E perguntas tu: o seu quê? Ao que eu te digo : coração! Sim, há pessoas que são coração de manhã, à tarde e à noite. Não se esquecem da mente mas deixam-se levar em demasia pelo coração. Às vezes também sofrem mas preferem continuar a viver com, para e através dele. Faz-lhes bem e muito mais sentido.

São os sentimentais, os cor-de-rosa e os sonhadores. Os que acreditam no lado bom do ser humano e os que tentam chegar aos que por vezes deixam o coração caladinho e fechado com medo de amar e ser amados.

Mas amar é bom. Amar nós mesmos, amar os outros e amar quem nos ama.

O amor é aquele sentimento que adoça a alma e faz carinhos pelo corpo. Aquele sentimento que se reparte sem partir, se soma sem subtrair e se multiplica por se dividir. O amor é feito de uma soma de duas partes iguais. No amor, não há gente melhor e gente pior. E sim, gente que se ama do jeitinho que é e gente que se vai limando e moldando sem esquecer quem é.

O amor acontece e ao acontecer vive-se num estado a dois durante um mesmo tempo. Há quem goste de amores passageiros, há quem goste deles mais inteiros. Há quem corra na ansia do encontrar e há os que esperam por aquele que lhes valha a pena. Depois de algum tempo, há quem opte por não tentar um coracao qualquer por saber bem que tipo de coração lhe bastará.

O amor quando é amor não se esgota. Enriquece quem ama e constrói … “sempre”.

O amor quando é amor desenha pontes a cada dia.

O amor quando é amor não descarta circunstâncias nem seleciona estações do ano.

Alimenta o frio do mesmo modo que também se alimenta no calor.

O amor quando é amor não acha menos sensual uns óculos, um pijama ou qualquer outro pormenor. Sabes porquê? Porque o amor quando é amor vive da sensualidade da alma e das transparências dos olhares.

O amor quando é amor é genuíno, pacífico, cúmplice e dá-se cada vez que um se doa ao outro. Vence barreiras e salta abismos.

O amor quando é amor une sorrisos e seca lágrimas. Vence medos e ultrapassa os sonhos.

O amor quando é amor é visionário cada vez que no presente se estende mais para a frente de mãos dadas já entre rugas e pele menos lisa.

O amor quando é amor cruza-se num daqueles cruzamentos especiais e ao cruzar-se nunca mais se desenlaça.

Sabes amor, tu és um daqueles sentimentos que se guarda para repartir com alguém que vê a vida com os seus olhos pessoais mas que entende o nosso olhar de um jeito especial.

Só assim, será vivido em amor esse teu verdadeiro e bom sentimento.

Porque se há coisa onde não entram genéricos baratos é nisso dos sentimentos que acrescentam.

Um beijo

A miúda que anda sempre com o dela. (O coração)

FONTEÍris dos Sentimentos
TEXTO DEAna Couto
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