Beijo bem dado é meio caminho andado

Acordei cedo para resolver problemas domésticos e fui direto de pijaminha para o escritório. Duas horas depois, já atrasada, dou de cara com meu marido no caminho para o banheiro. Me abraçou e o que era para ser um beijo rápido de bom dia, bom banho, bom trabalho, me levou de volta pra cama porque não há nada que deixe uma mulher mais excitada do que um belo beijo na boca.

Ele poderia ter desfilado pelado em minha frente. Ter agarrado a minha bunda. Ou enfiado a mão dentro da minha calcinha. Nada disso teria o mesmo efeito – é possível que eu tivesse escapado de suas mãos e pulado no banho para não chegar tarde ao meu compromisso. Mas beijo de língua é jogo sujo. E beijo de língua gostoso e demorado é golpe baixo. Esqueci o relógio.

Um beijo bem dado é meio caminho andado se você quer transar com uma mulher pela primeira vez ou pela centésima. E se quer que ela continue apaixonada por você e não por uma bolsa nova que brilha na vitrine. Um supre a carência do outro.

Tem toda a explicação científica de que o beijo aumenta a produção de ocitocina, o hormônio do amor, aquele que faz com que a gente amoleça e se apaixone até pelo Nerso da Capitinga depois de uma noite de sexo – é, a gente faz dessas.

Por causa do hormônio e de outras razões que eu desconheço, a boca tem ligação direta com a vagina. Você beija aqui e instantaneamente umedece lá. Então, não é à toa que a maioria das relações só vá adiante se o beijo fizer tremer o chão e molhar a buceta. Não se trata somente da primeira impressão, é o que estabelece a conexão imediata entre um casal.

Mas parece que vocês ainda não se deram conta disso. E eu coleciono reclamações da ala feminina de que à medida que o namoro ou o casamento avança a quantidade e a qualidade dos beijos diminui. Eu mesma já engrossei esse coro: tem cara que tira o beijo do repertório, só se lembra de beijar quando quer trepar, mesmo assim faz a coisa meio pró-forma ou nem isso.

Li por aí que 80% das mulheres reclamam que vocês fazem de menos o que deveriam fazer ao menos o suficiente: beijar, beijar muito, beijar gostoso, beijar com vontade, beijar na cama e fora dela, mas, principalmente, sem pressa.

Fosse só um capricho nosso, uma preferência de gostar mais por cima ou mais por baixo, mais rápido, mais devagar, mais para a direita, mais para a esquerda, sem problema. Mas abreviar o beijo, pular esse capítulo ou simplesmente esquecer que se trata do arroz com feijão necessário de toda relação é um baita de um tiro no pé.

Você pode alegar que capricha nas preliminares, que chega a ficar com câimbra nos dedos, que sabe exatamente onde fica e pra que serve o ponto G, que é mestre em fazer o quadradinho de oito. Se não caprichar no beijo na boca, está perdendo tempo. E pontos.

Experimente pegar com vontade a sua mulher, namorada, peguete, o título qualquer que ela tenha, e capriche no beijo, de verdade. Seja carinhoso, sensual, coma com os olhos e com a boca, envolva com os braço, apenas num abraço. Se você souber o que está fazendo, meu amigo, pode ter certeza que ela irá pedir que você vá direito às vias de fato.

Mas ainda que tudo que a gente, eu, você e todo mundo queira seja sexo do bom e do melhor, o beijo tem um papel que vai muito além. Ele e a frequência dele são os responsáveis por relacionamentos apaixonados e felizes porque fortalecem a conexão emocional, física e psicológica entre os casais. Eu sei, essa parte sempre soa como um blá blá blá, mas é a receita simples e eficaz que faz a diferença. Assim como deitar agarradinho depois que o jogo termina.

FONTEMp Jota
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