Baixa a bola que eu não sou tuas nega!

Olá. Muito prazer, eu sou, muito provavelmente, a mulher da sua vida. Aquela que está exatamente do seu lado agora e que você é covarde ou tapado demais pra chamar pra sair.

Não sou de chorar pelo leite derramado, prefiro conseguir uma nova caixa ou, quem sabe até uma vaca novinha em folha. Sim, sou toda cheia de si, como dizem por aí e por que deveria ser diferente? Se for só pra agradar, prefiro nem sair de casa.

Foi-se o tempo em que eu brigava por coisas banais e hoje só me interessa o que me faz melhor. Você pode me conduzir numa dança ou no carro, mas da minha vida só eu tomo o volante, combinado? Sou meiga, tenho sorriso largo e jeito zen, mas se pisar no meu calo, amigo, a coisa fica feia.

Faço café, levo na cama, dou carinho e tudo mais. Isso só quando eu quiser, não por alguma falsa obrigação que a vida de casal exige. Ah, também gosto de massagem nos pés, de beijo na nuca e de cerveja. Às vezes meu coração é de manteiga, mas posso ser uma geleira quando preciso.

Se você aprontou, não deu valor e perdeu, lamento informar que é esse o ciclo natural da vida. Eu escolho o que quero e, mais importante que isso, escolho o que eu não quero.

Uma coisa você precisa saber sobre a minha pessoa: a Esfinge perto de mim não passa de gatinha mimada. Decifra-me ou te devoro é o caralho! Já vou logo avisando, é melhor me deixar te devorar primeiro e deixar esse negócio de decifrar pra depois. Gosto de fazer amor, de trepar, de transar… Sexo não é política, não é jogo de poder pra ver quem manda mais em quem.

Amor? O que é isso, é de comer? Já ouvi até falar disso por aí, tipo aquela música do caviar, sabe? Mas eu gosto mesmo é do estrago, como diz aquela outra. Quero é rodar minha saia no salão a noite toda, rodar a baiana de vez em quando e até rodar bolsinha se eu quiser. A bolsa é de quem? E o corpo, de quem é? Meu e de quem eu mais quiser.

Tá, confesso que exagerei. Posso até acreditar em amor verdadeiro, mas não em príncipe encantado. Não sou mulher de joguinhos, não tenho tempo e paciência pra mim é só aquilo que está instalado no meu computador.  Quer brincar? A gente brinca, mas esteja pronto pra perder.

Quem me conhece sabe, não sou de meias palavras e também não gosto que sejam assim comigo. Quer me mandar tomar no cu? Manda, bota pra fora, fala na lata, só não me venha com meias palavras, caso contrário eu é que vou te mandar praquele lugar.

Não precisa ter medo, não. Não sou bicho. Mas também não sou suas nega, nem suas branca ou amarela. Só sou mulher e ponto.

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Escrito por Jocê Rodrigues
Publicado em Revista Cat Walk

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