Antes uma lista louca de “Não acredito que fiz isso” do que o arrependimento de não ter feito nada

Por: Lara Brenner
Publicado originalmente da Revista Bula.

É bem verdade que, como diriam alguns, se conselho fosse bom, não era de dado de graça. Às vezes, porém, tomar de empréstimo olhos alheios nos permite enxergar a vida de outro ângulo e sob prismas ainda não pensados. Ouso emprestar meus olhos por alguns minutos.

Seja bondoso com os outros, mesmo sabendo que talvez não haja reciprocidade. A bondade é um fim em si mesma e, quando honesta, renova as energias e lava a alma.

Não tenha medo de cair. Às vezes se vence, às vezes não. Quando estiver espalhado pelo chão, aproveite para estudá-lo bem. Nada como conhecer as próprias falhas para o melhoramento contínuo. Antes uma história cheia de tropeços do que história nenhuma. Prefira o erro à omissão, o tropeço à inércia. As grandes biografias estão recheadas de altos e baixos, mas nunca de monotonia e dormência.

Não perca a fé na humanidade, mesmo que ela lhe dê milhares de razões para isso. Ninguém é tão ruim que não tenha algo de bom. Agarre-se a essa certeza, continue de mãos estendidas e coração aberto. De amargura e desilusão o mundo já está cheio, caia fora.

Sonhe alto, mas não se esqueça de caminhar a passos largos para perseguir o que deseja. Basta de frases nostálgicas, chega de “se eu fosse mais jovem…”, “se tudo fosse diferente…”, “se eu tivesse nascido rico…”, “se eu tivesse tido coragem…”. Tenha coragem agora. O não é garantido, procure pelos sins encravados em lugares a que se acostumou chamar de loucura ou impossível. Impossível é uma questão de opinião, já bem disse algum louco por aí.

Seja ético, não trapaceie nem caia na tentação de falar da vida dos outros. A diferença entre protagonistas e figurantes está em construir a própria história ou narrar a história dos outros. A não ser que você seja um biógrafo, escolha a primeira opção.

Compreenda seu espaço no mundo e acredite nos limites que seu coração lhe soprar. Jamais acredite em limites que os outros lhe impõem. Essas pessoas vão sumir em algum momento e, ao final, as contas serão prestadas apenas entre você e você mesmo.

Não se mate por besteiras, nem se remoa por frases mal colocadas ou decisões mal tomadas. Isso lhe esfolará a carne e o espírito, mas resolverá tanto quanto tentar fazer dieta no natal. Diz um antigo provérbio que três coisas não voltam jamais: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. Então se levante o quanto antes, sacuda a poeira, engula o orgulho e peça perdão. A humidade honesta é a maior forma de ser grande. Aja logo para consertar as asneiras que cometeu antes que seja tarde demais para repará-las.

Seja gentil, mesmo que o próximo faça a ideia parecer absurda. As maiores carrancas e os piores venenos costumam ser disfarces para almas fracas, vazias, frágeis, e infelizes. Se um de seus gestos for capaz de aplacar a dor do outro, acredite, sua existência terá valido a pena.

Mais do que fiel, seja leal a quem merece e a quem você é. O mundo está repleto de gente babando regras, ditando poses, modas e costumes. A única regra é: se você se sentir bem sem invadir o espaço do outro, está tudo certo.

Viva com intensidade, presença e plenitude. A morte é a única certeza que se tem na vida, mas não entregue os pontos de graça. Faça a briga valer a pena.

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