Antes de trair, termine.

No sentido amplo da palavra, trair permeia diversos universos, aqui, me limitarei apenas aos relacionamentos amorosos.

Vivemos na linha tênue entre a alegria e a tristeza, entre o ódio e o desejo, o gozo e o sacrifício.

“Aconteceu.”

Já cansei – e, muito provavelmente, você também – de ouvir essa fala com ar ressaqueado de pessoas que, por um gole a mais, um momento de raiva, frustração, recaída ou de alguma outra maneira, traíram seu/sua companheirx de relacionamento.
Não podemos negar que nós, de fato, temos certo apreço por algumas coisas proibidas da vida. Os impulsos existem.  Estão aí – ou melhor, aqui -, pulsantes, dentro de cada um de nós. São responsáveis por boa parte do turbilhão de sensações que sentimos.

Pra ser sincero, até entendo uma das façanhas que existe por trás da danada da traição. A maioria das pessoas que traíram não quiseram – ao menos não em primeiro plano – sacanear x parceirx. Agiram por força da circunstância.

De verdade, o proibido aguça os nervos e devaneios. É uma coisa instintiva. A sensação de estar se envolvendo, ao mesmo tempo, com duas ou mais pessoas se mistura ao risco que se corre de que uma delas – namoradx – descubra, instiga a líbido.

De certo modo, é como transar na sacada do apartamento, numa praia deserta, na escada, no topo de uma roda gigante, na beira d’um precipício, dentro do carro, etc… Só que com um detalhe que modifica significantemente a situação. Existe x outrx que não sabe e que, certamente, não está de acordo com o ato. E é aí onde mora o problema.

A par de curiosidade, me considero monogâmico, simplesmente por, até hoje, não conseguir me relacionar amorosamente, ao mesmo tempo, com mais de uma pessoa. Contudo, absolutamente, nada contra o amor livre (poligamia, poliandria e afins). Sou a favor do amor. Todo mundo tem direito à amar, com a permissão do outro, do seu jeito particular.

Tem bastante gente, a torto e à direita, iniciando relacionamento, sem, ao menos, ter noção do compromisso que está firmando com o outro, e antes disso, consigo mesmo.

Se assumiu alguém, esqueça o quesito ‘ficar com quem bem entender, onde e na hora que bem entender’ da vida de solteiro que levava, está na hora de construir um laço com a pessoa que você aceitou para caminhar contigo.

Relacionamento não é brincadeira, é assunto sério. É ponte que liga e mantém a conexão de sentimentos entre dois corações.

Tenho em vista que a traição aconteça, predominantemente, porque o primordial – Empatia: capacidade de colocar-se no lugar, tentar entender e sentir o que o outro sente -, base de qualquer relacionamento, por descuido ou fragilidade, é deixado de lado.

Se o relacionamento, pelo fato do afeto não  ser recíproco ou por algum outro motivo, estiver ruim das pernas é melhor procurar o que o impede de caminhar em paz. Diálogos se fazem necessários na resolução de todos os esses problemas. Se entender que não há outra solução senão terminar, não tente empurrar com a barriga, não tente levar pro escanteio, não traia, termine.

Nem você, nem ninguém tem o direito de enganar o sentimento de ninguém. Uma dose de sensatez se faz necessária. Além de ser sincerx e demonstrar respeito com o outro, você está sendo sincerx e respeitoso consigo mesmx.

E uma coisa é fato, não tem nada melhor do que deitar para dormir e ter a consciência tranquila. Certo?!

 

 

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Por: Rafael Reis

Publicado em O quinto andar

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