À véspera do nosso casamento

Eu esperei, por anos, anos e anos. Tive outros encontros tortuosos, algumas paixões tórridas, desilusões, decepções, ri e chorei. Mas nunca, nunca amei!

Amor de verdade, daquele de livros e filmes. Esse tipo de amor eu nunca vivi. Talvez só em sonho, ou em ilusões. Mas eu sabia que nunca tinha amado, e principalmente, que nunca tinha sido amada.

Não que minha vida tenha sido triste por isso. Muito pelo contrário. Eu vivi muitas coisas: fiz loucuras, tive encontros malucos, viajei pra todos os lugares que desejei, conheci pessoas de todas as culturas possíveis, bebi até cair, fui a todos os bares e baladas que pude. Eu sempre fui mais noturna. E, além disso, curiosidade sempre foi meu sobrenome. A vida era minha intensa paixão. Acho que se já tivesse amado teria me privado de viver tudo isso. E assim, eu não seria o que sou hoje. Não teria a visão de mundo que tenho, as opiniões, a personalidade e a história que carrego comigo.

Num dia comum, depois de uma trombada no bar de um pub tudo mudou. Você virou pra mim com aquele sorriso encantador e me pedindo desculpas, roubou minha alma pra você. Tocava “Wanted”, na versão do Boyce Avenue. Nunca mais esqueci essa música. Ali, naquele milésimo de segundo, eu me perdi pra sempre. Me entreguei à você por completo.

Foram muitas noites acordados, sussurros, abraços apertados, mordidas no pescoço, beijos longos, carinhos íntimos… A gente dormia de conchinha e acordava embolando o edredom. Os cafés da manhã eram sempre rápidos, os banhos compridos e, quase sempre, sacanas. A gente se tocava no corpo e na alma. Estávamos entregues. Um ao outro.

Confesso que tive medo, de você partir, de você fugir, e até mesmo, de enjoar de mim. Mas não. Era amor. Amor de verdade. E foi muito melhor do que nos filmes. Nosso romance era real, carnal, literal…

Não quero mais conhecer o mundo inteiro. Não quero mais caras de uma noite só. Não vejo mais graça em acordar sozinha. Não posso nem pensar em viajar pra qualquer lugar desacompanhada. Agora quero brincar de casinha, quero aprender a fazer cozido e me arrumar para um homem só.

Hoje, véspera do nosso casamento, me peguei pensando em tudo que vivemos até aqui. As promessas foram cumpridas. As declarações foram provadas. As crises superadas. Eu te amo. Amo verdadeiramente. E acredito no seu amor e em todas as vezes que disse que eu era o seu passaporte para a felicidade. Você também é o meu.

Não sei como vivi tantos anos sem você, mas a partir de amanhã, depois de me tornar sua esposa, estarei completa. Você era tudo que eu procurava na vida. Que por sinal foi muito generosa comigo.

Escrito por Monika Jordão, colunista do Sábias Palavras.

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FONTESábias Palavras
TEXTO DEMonika Jordão
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