A incrível geração de mulheres que tomam a iniciativa

Já comecei o fim de semana tombando no desespero: nenhum contato novo na lista de amigos, nenhum convite para um jantar romântico, zero previsão de romance, eu me basto, eu me basto, pensava repetidamente comigo. É óbvio que eu sou feliz assim, mas entra semana, passa semana, eu fico pensando no quanto manicures estão caras pra não ter em quem roçar esse pé lisinho. Faço por mim, então. Depois, bar, que a única coisa que cai do céu é chuva. E, graças a Deus – ou pra ajudar a minha carência a atingir todos os níveis máximos de sua potência – chuva não faltou neste fim de semana.

Bebendo, o namorado da minha amiga quis saber. E o engenheiro gente boa, cadê? Subiu no telhado, respondo. E aquele amigo do fulano que pegou seu telefone? Sumiu. O ex? Só aparece quando lhe convém. Ok, ao menos você voltou a conversar com aquele rolo, depois do último remember? Não.

Mas o que você fez em relação a eles?, ouvi. Nada,  fiquei na minha, vê se pode? Falei, já borbulhando o nariz no dry martini de tanto tédio, aguardando as felicitações por eu ter sido uma boa moça que sabe se controlar. Pra minha surpresa, não ganhei resposta de incentivos como “hoje em dia está difícil mesmo achar alguém que queira se envolver”, como sempre acontece. Levei um esporro de garçom tapar os dois ouvidos.

Todos os garotos da mesa resolveram se rebelar contra o meu tipo de mulher: aquela que espera sentadinha os homens tomarem alguma atitude. Ao meu favor, somente a criação que eu tive e os conselhos das amigas, sempre zumbindo no ouvido: não corra atrás, homem quando quer, vai até a China a pé, pra pagar promessa por te ter do lado, se dê valor. SE DÊ VALOR.

Mandar uma mensagem no dia seguinte do encontro? Ele vai me achar grudenta! Puxar assunto com um cara no bar? Ele vai me achar safada. Chamá-lo pra sair? Ele vai pensar o quê de mim? Que estou apaixonada? E, aí, game over. Eis um valor escorrendo pelo ralo da autoestima.

E ouço, com convicção e sinceridade dos meus amigos, que não. Que eu posso dizer para um cara que o achei bonito, se essa for a verdade. Que eu posso mandar uma mensagem dizendo que estou com saudade. Que eu, inclusive, devo mostrar como estou me sentindo em relação a ele. “Se alguma mulher deixar a responsabilidade de conduzir o relacionamento somente pra mim, eu vou sair correndo”. Desestruturei.

Sempre me preocupei tanto com o meu valor, que acabei esquecendo de corresponder o sentimento alheio. Como se em um relacionamento só existisse o meu lado a ser afagado. Nos ensinam, desde novinhas, a fazer jogo duro, a conquistar sendo intocável, a aprender a não apertar, pra não sufocar. Mas a verdade é que meus amigos têm razão. Os relacionamentos mudaram muito do tempo de nossas avós para cá. A regra do jogo também. Sim, porque jogar ainda faz parte da conquista. Mas as cartas são outras. Nessa disputa, a mulher tem voz ativa. Tem atitude. E isso nada tem a ver com valor.

Matemática simples: assim como gostamos de ser bem tratadas e admiradas, eles também. Não é incrível e libertador pensar dessa forma?

Desatei um nó nos meus comportamentos. E, no mínimo, posso garantir. A vida está mais simples agora que eu parei para pensar mais nas coisas que eu poderia fazer, do que nas que eu não deveria. Bem mais simples.

FONTESem Caô
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