A idade chegou e eu preciso casar! (sobre como a pressão pelo felizes para sempre mexe com a vida das mulheres)

Eu minto a minha idade conforme me convém e não tenho vergonha disso. Tá. A idade do perfil do Facebook é verdadeira, mas, shiu, não precisa espalhar. Eu achava bobo quando minha mãe, minha tia ou minha madrinha mentiam a idade. Pensava: qual o problema em dizer a verdade? São apenas números. Até que eu cresci.

A idade chega, todo mundo sabe disso, né? Dur! Mas ela não podia só chegar na dela, sem esparro? NÃÃÃÃÃO, porque a idade é uma porcaria de coisa carente, que jamais anda solitária. Ela chega adentrando nossas vidas de mão dada com os seus amigos cabelos brancos, rugas, dificuldade de emagrecer, flacidez e esquecimento. E relógio biológico. É nessas horas que eu simulo um começo de demência e digo minha idade dois números a menos. Dou um sorrisinho maroto e mudo de assunto. O próximo assunto é casamento. Preciso de tempo.

(água das minhas lágrimas de desesperança)

Porque se tem uma coisa que o mundo concorda, minha mãe concorda, minha tia ou minha madrinha concordam, é que o casamento é importante. Mas eu queria dizer pro mundo, pra minha mãe, pra minha tia e pra minha madrinha que: como vou casar se nem pretendente eu tenho? Se mal mal beijo na boca nos fins de semana? Se nem tentando fazer filhinhos estou? Ah, isso é pra depois do casamento. Desculpa, mãe. ?

Como se não bastasse ter uma bomba relógio dentro do meu corpo avisando que já tá PASSANDO DA HORA de casar, ainda tenho que lidar com a pressão da sociedade. Gastar quatrocentos reais por mês com presente de madrinha e passear domingo no parque com alguma amiga que já comemorou bodas de algodão com um neném a tiracolo. Ver pessoas me olhando do meio da rua, como se estivessem dizendo: larga a balada, arruma umas pernas pra você se enlaçar e vai copular, minha filha!

Cadê meu momento princesa da Disney?  Vocês acham que eu não tinha planos? Tinha sim, sociedade. Na brincadeira da borracha, que caía sim ou não, sempre dizia que eu ia me casar aos 27 anos, ter três filhos e morar em NY.

E aí, começo desesperadamente a fazer as contas para ver quanto tempo ainda tenho para concretizar os planos que a minha família fez para mim. Não vai dar. Vou ter só um filho mesmo e morar na minha cidade, que é pra minha mãe me ajudar a criar a criança enquanto eu trabalho pra pagar as contas.

E se os planos de comercial de margarina que a senhora fez pra mim não derem certo, mãe? E se ninguém me quiser? E se eu tiver que cogitar inseminação? Vou ser menos feliz se não colocar o sobrenome de alguém junto ao meu? Se não tiver um pedido de noivado em Veneza, não vestir um Vera Wang, se não terminar os meus dias com olhares de um homem apaixonado? Aliás, as pessoas ainda se apaixonam?

Ela diz que sim, que quando eu tiver distraída meu príncipe aparece. Aparece? Se eu estiver distraída? Mas aí não vou reconhece-lo. Como vou saber que é ELE se eu estiver, tipo, olhando formiguinhas carregando folhas nas costas? Providencio um outdoor luminoso, piscando estilo Las Vegas dizendo, tô aqui, alô, bom moço, sou pra casar. Caso em Vegas, nem preciso mais de aliança de diamante. Mentira. Diamantes seriam legais. Já vou logo dando meu dedo pro anel.

A verdade é que depois de um tempo, você fica menos exigente, disputa menos, vê menos os defeitos, se apaixona mais rápido, FICA COMPLETAMENTE DESESPERADA. E no meio desse desespero, da minha bomba relógio apitando, da minha mãe e das minhas tias, eu ainda preciso fazer pose de menina fofa que não se importa, que não quer se envolver, pra ver se tenho alguma chance de alguém querer casar comigo. Só que, nessa altura do campeonato, ficou completamente impossível fingir.

No lugar dele, eu também diria que não.

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