A gente volta?

Ego é uma coisa complicada.

Eu preferiria enfrentar mil dementadores a admitir que errei com você. É duro pra mim te ver online e me morder toda pra te chamar e permanecer imóvel. Não quero ser a primeira a… Você sabe, parecer fraca.

Desde o dia em que você saiu e bateu a porta eu penso em te ligar, dizer que sinto muito e que seria maravilhoso ter você de volta, dividindo os lençóis, colheres, sentir cheirinho de creme de castanha que você sempre passava antes de se deitar. Sabe, amor, se é que posso te chamar assim, a cama parece um abismo solitário, eu aperto e esmago o travesseiro, sinto falta de algo pra me acolher, por mais cobertas que coloque, é sempre inverno, faz sempre frio.

Eu penso em te fazer uma declaração, dessas que rolam no cinema, mas visto que você não é ator e nem segue roteiro é capaz de simplesmente ignorar a minha ação. Mas só penso, sabe… Nunca vai rolar.

Ah, também já pensei em te escrever uma carta, dessas que narrasse nossos melhores momentos juntos, nossas peculiaridades e detalhes só nossos pra ver se assim te despertava paixão de novo.

Novamente, só pensei.
Ando pensando muito!

Sentada na varanda olhando as folhas do ipê pra lá e pra cá… Por que brigamos?
Prioridades! Alguém tinha que ceder?

Será que meu coração tá preparado pra ouvir o seu possível não? E será que terei a audácia, coragem pra te procurar?

O medo que sinto da sua rejeição é quase infantil…

Eu nunca vou amadurecer.

Não sei o que se passa na sua cabeça, a gente não se fala desde o dia em que as paredes se estremeceram com a batida da porta. Mas é crucial a falta que sinto, o silêncio estoura meus tímpanos, não tenho medo de parecer uma adolescente dizendo isso. Saudade é coisa de qualquer idade e erros todos vamos cometer. Se desculpar por eles é somente para os que aguentam a carga psíquica da resposta.

Querido, amor, paixão…
Eu não sei se aguento a carga, mas aguentar a falta tá me consumindo!

Eu vou me despir pra você agora.
Sim. Mas não de roupas e adereços. Mas de conceitos!

Tô esvaziando meu ego, engolindo o meu medo e vindo te dizer que tô morrendo de vontade de te ter de volta! Sinto falta da maneira como você enrolava meu cabelo nos dedos enquanto eu repousava a cabeça sobre seu peito, sinto falta das suas mensagens preocupadas, das visitas surpresas que me fazia na manhã de domingo, de quando você encaixava seu corpo todo e passava os braços sobre a minha cintura, me sentia mais protegida que qualquer outra criatura no mundo. Sinto falta do sexo, do ápice, do gozo.

E mais que saudade das coisas que você fazia, sinto saudade de como você era e como isso refletia em mim.

O brilho questionador da sua pupila, seu olhar terrivelmente vagabundo e malandro. Seu jeito cuidadoso e sensível. A maneira como sua voz ecoava no meu ouvido quando você me acordava em plena madrugada querendo fazer amor.

“Nunca te desejei tanto na vida.”
Soava como a nona sinfonia.

O jeito como seu cabelo balançava quando você colocava Radio GaGa e dublava a voz do Freddie…
Amor, paixão, vida tô aqui, nua na sua porta, despida de ego e medo só pra saber se a gente volta. Se você me veste de amor de novo.

FONTEAmor Ano Zero
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