A diferença entre pessoas disponíveis e pessoas dispostas

Sempre me questionei o porquê de existir tanta gente solteira, teoricamente à procura de um alguém que nunca aparece. Homens, mulheres, heterossexuais, homossexuais, bissexuais, inteligentes ou nem tanto, bonitos ou -que me perdoem- feios.  Não importam as características, não importam as qualidades e os defeitos, não importa o conjunto. Tem muita gente solteira que entra ano e sai ano, continua sem ninguém, apesar de querer.

Todo mundo conhece ao menos uma pessoa, que apesar das inúmeras qualidades, está sempre solteira. Qual o motivo? Entre quatro paredes ela é insuportável? É por excesso de exigências? Está procurando nos lugares errados?
Normalmente a culpa é inteiramente da pessoa, mas esse texto não é sobre essa maioria.Esse texto é sobre o tipo de pessoa que a outra parcela anda encontrando. 

Passei dois anos solteira antes de começar a namorar o meu atual namorado e posso dizer que conheci todo tipo de cara e consequentemente todo tipo de mentira. Saí com caras que largavam a minha mão quando encontravam alguma conhecida mulher na rua. Saí com caras que o telefone tocava toda hora e eles viravam a tela para que eu não lesse o nome da próxima mulher com quem eles encontrariam quando fossem embora. Saí com caras que confundiam a janela do chat e me mandavam a mensagem que deveria ser para outra. Saí com caras que saiam comigo e com mais a torcida do Flamengo ao mesmo tempo. Saí com caras que não viam problema em mentir, enganar, iludir. Saí com caras que repetiam feito papagaio qual-o-problema-não-tenho-nada-sério-com-você. Saí com caras que achavam que era preciso a seriedade de um documento assinado em cartório para tratar a mim, e a qualquer outra, com o mínimo de respeito. Saí com caras que gostaria de nunca ter saído.

Existem pessoas disponíveis? Sim! Elas estão aos montes por aí. Enchendo o Tinder, as baladas, as academias e também os consultórios dos psicólogos. Não é nada difícil encontrar pessoas disponíveis. Difícil é encontrar pessoas dispostas.

Difícil é encontrar pessoas dispostas a realmente conhecerem outra pessoa disposta. E quando digo conhecer, não me refiro ao sexo, ao beijo, aos amassos. Me refiro ao que realmente diferencia uma pessoa da outra: seus gostos, suas paixões, seus segredos, seus hábitos, suas ideias, suas palavras, suas risadas, etc.

Poucas são as pessoas dispostas a conhecerem as outras. Por que para isso é necessário atenção. É necessário tempo. É necessário entrega. É necessário mais do que podem oferecer. Afinal, é impossível oferecer tempo, atenção e entrega quando os esforços estão todos em conciliar muitas conquistas para pouco espaço na cama e nenhum na vida.

Para essas pessoas, o importante é colecionar outras pessoas. Quanto mais bocas, quanto mais corpos, quanto mais corações, melhor. E elas são cheias de lábia para que suas conquistas se mantenham sempre quietinhas e submissas às suas condições absurdas de muita humilhação e pouco amor próprio. Escondem suas reais intenções em frases feitas sobre traumas passados, trabalhos puxados, doenças em familiares inexistentes, e tudo mais o que puderem jogar a culpa por sua falta de interesse em alguém além delas próprias.

É fácil encontrar uma transa para a sexta a noite. Difícil é encontrar alguém para acordar ao lado no Domingo de manhã. Por que a fila é grande e a rotatividade também. Você não aceita ser apenas mais um número? Não tem problema. A próxima aceitará. Por que você não significa nada e nem nenhuma das outras.

É triste se envolver com quem não se dispõe a se envolver também. São pessoas que querem tudo de todos sem aceitarem que alguém queira algo de volta delas. Mas a notícia boa é que é sempre possível um final feliz para quem se dispõe. Triste mesmo é ser a pessoa que por vontade própria, cedo ou tarde acabará sozinha. Por que quem tá com todo mundo não tá com ninguém.

Fonte: Marina Barbieri

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