7 medos em um relacionamento

– (…) Eu sou bem fechado e sempre tive medo de me relacionar.
– Com razão! Quem gosta de correr o risco de se ferrar?
– Ouvi uma vez que entrar numa relação é a coisa mais incrível e assustadora que alguém pode fazer. Entrar na vida de alguém e deixar alguém entrar na sua vida é extramente complicado. As pessoas são complicadas. E quando as pessoas são complicadas e gostam de complicar tudo vira um inferno.
– Tá falando da garota de escorpião?
– Não exatamente. Tô falando de ter medo do envolvimento. De dar seu coração pra alguém.

 

 

Esses são os 7 medos que mais percebi por aí:

 

1 – Se entregar

Dá pra dizer que se entregar é o primeiro passo de uma relação, e também um dos mais difíceis (relação “formal” com status no Facebook, fotos no Instagram e essas exigências modernas, não aquele miojo que você come regularmente e sem compromisso).
O primeiro passo em qualquer coisa é difícil. Seja começar uma dieta, ir ao banco, estudar pra uma prova ou se abrir e se entregar à alguém. É sempre complicado!

Deixar alguém entrar na sua vida é meio que dar o aval pra ela fazer o que quiser na sua casa. É falar “Olha, a geladeira é ali, o sofá é aqui, a cama é a melhor parte da casa e você pode deitar nu nela! Fica à vontade e não repara na bagunça…”, e esse alguém realmente entrar. E apesar dos móveis fora de lugar e de reparar algumas rachaduras na parede causadas pelo inquilino anterior, ele achar aquela a casa mais linda e confortável que existe.

Daí só te resta torcer que ele não seja como os que foram embora e deixaram sua casa bagunçada. Mas que ele entre e coloque tudo no lugar, faça uma faxina contigo, deixe o lugar mais bonito e faça sua casa crescer. Aí sua casa vira um lar.

Mas definitivamente dar a chave da sua casa pra alguém é aterrorizante.

 

2 – Perder sua identidade

Todo mundo conhece aquele casal que antes de se conhecer eram pessoas legais, tinham suas rotinas, amigos, hobbies e suas próprias identidades.

Mas aí se conheceram e se tornaram um casal. Um casal CHATO PRA CACETE que não são duas pessoas, mas uma entidade: você não chama o João pra beber, você chama o João&Gabi. Você não chama a Gabi pra ir ao cinema, você invoca das profundezas do abismo a João&Gabi. Eu nem sei se uso “o” ou “a”, porque é completamente indefinido o que esse ser é.

Eles tem perfil compartilhado no Facebook. Eles só vão num lugar se o outro for. Eles só tem amigos que os dois conheçam, e em consequência passam a só ter casais como amigos. Eles não tem mais identidade própria.

Ok ser um casal que gosta de fazer as coisas juntos e não se desgruda, é gostoso. Mas é necessário ter sua individualidade também. Ter seu tempo, seu gosto, seus amigos e suas coisas.

Aliás, você não precisa ter medo de ser assim se você tem personalidade suficiente pra ser você mesma.

3 – Não ter retribuição

Imagina que você olha bem uma loja, passa um tempo considerável analisando todos os produtos até achar aquele que é perfeito pra você, relembra seu histórico financeiro, pensa mais um pouco, olha em volta pra ter certeza, e decide comprar.
Paga parcelado em trocentas vezes (porque todo relacionamento é cobrado ao longo do tempo) e quando recebe é uma caixa vazia.
Tem relacionamento que é exatamente isso.

Você quem se doa, quem corre atrás, quem se entrega. Quem dá carinho, atenção, amizade,  suporte, sexo.
E é você, só.
O outro tá ocupado demais recebendo isso tudo, meio que não sobra tempo pra retribuir, sabe?

O pior é quando a retribuição, a retribuição mínima que seja (tipo, sei lá, um presente bobo ou um convite pra um restaurante) se torna grande coisa pra você.
Se você se acostumou a se doar e receber migalha em troca… eu sinto pena de você.

Ou não.
Cada um deveria saber quanto vale o próprio tempo e principalmente o próprio amor.
Se o seu vale migalhas, fazer o quê?

 

4 – Não serem amigos

Existe a possibilidade de vocês já serem grande amigos antes do começo da relação.
Existe também a possibilidade de se tornarem grandes amigos ao longo da relação.
Em todo caso, ótimo!

O problema é quando não tem amizade de verdade entre o casal.
Pensa que aconteceu algo muito triste com você nesse momento: andando na rua um pombo cagou no seu sorvete, você ficou com raiva, se distraiu e tropeçou, destruiu o trabalho que você fazia há dias e torceu o tornozelo na queda. Quem é a primeira pessoa que você procuraria pra reclamar muito da vida?

A situação é hipotética (não é, aconteceu comigo, menos a parte do tornozelo), mas define bem amizades e prioridades.

Se ela não é a pessoa que você se empolga em mostrar uma música que você acabou de descobrir, ou uma série que você acha incrível, ou aquele link legal que você esbarrou pelas internets… temos um problema.
Porque talvez também não seja ela a primeira que você corre pra ter apoio, pros seus segredos, seus medos, frustrações, objetivos e sonhos.

E não dá pra ter só um dos dois casos.
Se é pra estar contigo, tem que ser o amigo pras horas boas e ruins.
Relacionamento sem amizade é sexo com um colega ou um estranho, não é sexo íntimo. Não é um relacionamento íntimo.

 

5 – Aparecer “alguém melhor”

Esse é meio bobo mas bem comum.

– Bobo nada! Eu sei que ele tem lá as amiguinhas dele. Tudo piranha(!).
– Mas você nem conhece as gurias.
– Ah, mas são! Só que elas são bem bonitas até. Então eu fico com medo de ele se interessar e…
– …e nada! Se ele se interessasse ele teria feito algo! E você provavelmente só saberia algum dia qualquer. Mas se vocês estão juntos, você deve (ou deveria) confiar nele o suficiente pra não ficar pensando esse tipo de coisa. Mas, principalmente, deveria confiar em você mesma! Ele tá contigo, não com elas. Você tem suas qualidades. Mulher auto confiante é mais atraente do que muitas outras coisas que mulheres aleatórias possam ter.

Acredite, não existe “alguém melhor”. Existe várias pessoas diferentes da gente, mas ninguém melhor ou pior.
E se você dá motivos suficientes pra que aquela pessoa goste de você, goste da relação e de estar com você, nunca vai existir esse outro alguém melhor.

Mas se você não cuida direito e não trata como se deve… bem, lembre-se que nesse caso a grama do vizinho pode mesmo ser mais verde pra ele.

 

6 – Acabar o tesão

Isso é fim de relação. Sério.
Se o tesão acaba vocês são só dois amigos que se dão beijos (sem graça) ocasionalmente.

Várias coisas podem ser feitas pra manter o tesão numa relação, mas às vezes é inevitável, seja lá por qual motivo for. E nesse caso não tem muito o que se fazer mesmo.

Estar numa relação onde o desejo físico pelo outro morreu é meio triste.
É como se não fosse uma relação completa, vívida e empolgante pros dois.
É como se a única coisa que unissem vocês agora é a amizade, a rotina e a acomodação.

Aliás, ficar acomodado é a pior coisa que se pode fazer numa relação. Tenha ela 30 dias ou 30 anos.
Se perceber que você ou a outra pessoa está acomodado na relação, tá aí o começo do fim.

Faça algo.
Ou testemunhe o (esperado) fim.

 

7 – Quebrar a cara (e o coração)

Esse é o medo mais comum e inevitável.
Mas também é o mais idiota.

É complicado se entregar à alguém e deixar que aquela pessoa cuide do seu coração. Isso fica mais complicado quando você já teve decepções no passado.
O medo de se machucar aumenta muito quando você já sofreu antes. Parece que toda nova pessoa que se aproxima é uma nova chance de acabar se machucando.

Mas é extremamente covarde e bobo deixar que alguém do seu passado, alguém que causou algo ruim no seu passado, impeça que você seja feliz no seu presente.
Por que você vai permitir que alguns remendos no seu coração atrapalhe a possibilidade de você estar com alguém que vai cuidar dele como ele merece?

Você sempre vai correr o risco de quebrar a cara num relacionamento. Não tem como fugir disso.
Toda relação pode eventualmente chegar ao fim.
Mas o que é a vida sem riscos, né?
Chata. Entediante. Não tem Nutella, bacon e nem internet lá.
Não queira isso.

Você só tem que saber por quem vale a pena correr esse risco.
Por quem vale a pena enfrentar esses medos.
E por quem vale a pena entregar seu coração.

Assim quando você olhar pra lado vai ver que tudo isso valeu a pena.

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Fonte: Hudson Baroni

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