12 passos divertidos para superar com classe um fim de namoro:

“O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.” Martha Medeiros

Eu queria que algumas dores fossem um pouquinho mais fáceis de serem superadas e especificamente, essa do término é daquelas que abrem feridas grandes e cansativas. Quero de um jeito divertido, prático e não-obrigatório te mostrar e te alertar sobre coisas que só quem está “te vendo” de fora poderia dizer.

1 – A partilha de amigos

Todo fim de romance compreende a partilha de amigos. A gente às vezes não percebe, mas a grande maioria dos amigos vai para algum lado, junto dos pertences – antes partilhados em casal. É um movimento natural, eles acabam escorregando para alguma direção da balança, e isso depende de muita coisa, mas principalmente de quem eles tinham amizade originalmente antes do casal formar-se. A partilha dos amigos é importante porque a partir dela você saberá com quem poderá contar na fase de sangramento.

2 – Reativando a sua rede durante o sangramento.

Se você é dessas pessoas que se afastam do mundo quando está namorando, terá um pouco de trabalho; nada mais justo não? Quando namoramos, de certa forma transferimos um pouco ou todo o espaço de afeto que dedicamos aos amigos para a pessoa amada. É comum, mas não deveria. Amigos não gostam dessa condicionalidade e vão perceber que você está se reaproximando não como um ato genuíno, mas por necessidade.  Não tente fazer parecer que essa retomada de contato é natural, porque não é. Os amigos são uma das grandes camas elásticas para as nossas quedas emocionais, lembrando que a palavra “amigos” inclui familiares também.

3 – A Nutella

Eu vivo repetindo que a humanidade é triste até descobrir o poder da Nutella. Claro que isso é uma metáfora, você pode amenizar suas dores recorrendo a uma Nhá Benta ou Brigadeiro de colher – com canela. O fator chocolate talvez seja o mais importante dessa citação, já que ele possui feniletilamina, anandamida e outros segredinhos que revertem a tristeza e nos proporcionam goodvibes.

Deixo aqui uma receita de Brigadeiro com Nutella publicada no site Catraca Livre que eu já testei e é tiro e queda:

2 colheres de Nutella

395 gramas de leite condensado

2 colheres de sopa de chocolate em pó

1 colher de sopa de manteiga

Como fazer

Misture os ingredientes em um recipiente que pode ser levado ao micr0-ondas.

Esquente o brigadeiro por 3 minutos, retire e mexa bem.

Leve novamente ao micro-ondas e aqueça por mais 3 minutos.

Agora é só colocar o brigadeiro em potinhos e se lambuzar de felicidade.

4 – Leia um livro da Cheryl Strayed e os textos do EOH

Cheryl Strayed parece ser aquele tipo de mulher que viveu várias vidas em uma só. Já fez uma trilha pela Costa Oeste americana, com um mochila e muita coragem nas costas. Hoje mantém uma coluna chamada “Dear sugar” em um site norte-americano. Nessa coluna ela responde cartas de anônimos com questões urgentes, problemáticas e extremas de vida. É tocante o jeito como a escritora lida com cada problemática, já que ela nunca se coloca como especialista em assunto algum. Utiliza-se de lógica, bom senso e empatia para ajudar com opiniões coerentes nas aflições dos remetentes. Outra opção é seguir, dia a dia, os nossos textos (do EOH), que são altamente baseados nas vivencias cotidianas e as diferentes personalidades dos colunistas permitem que você encontre a visão mais adequada ao seu jeito de encarar os problemas.

5 – Uma viagem pra lavar a alma

Claro que você não precisa chorar as pitangas em uma praia caribenha ou tomando champagne em Paris, mas se puder dar uma fugidinha de perspectiva isso vai te ajudar ajustar sua ótica emocional. Vá para algum lugar em que você consiga ficar longe do furacão, em que você comece a se acostumar que o melhor que você tem na vida é justamente você mesmo. É libertador quando aprendemos a lidar bem com a sua solidão. Quando isso acontece, ela se transforma em liberdade.  Você pode ser absurdamente feliz curtindo uma solteirice – aqui quem fala é um perito.

6 – Feel good movies

Ah o cinema. O cinema é um exímio conselheiro nas piores horas. Confie no que ele tem pra te dizer e de preferência, nessa fase busque os “feel good movies”. São filmes que nos fazem bem, que servem quase como edredons para momentos de fossa e que possuem algum arco de virada em que as coisas parecem dar certo no final. Dicas: “Pequena Miss Sunshine”, “O lado bom da vida”, “Tudo acontece em Elizabethtown”, “As vantagens de ser invisível” ou “Compramos um zoológico”.

7 – Gastar a tristeza até o fim, mas tomar cuidado com a autopiedade.

Quanto mais você tenta esconder de si mesmo a tristeza mais ela se espalha. Fingir estar feliz não é uma boa tática para mandar a tristeza embora. Acho que até a dor possui um sabor necessário e talvez alguns fiquem chocados com o que vou dizer, mas muitos de nós sentimos prazer nela. É muito bom termos do que reclamar, ainda mais quando podemos culpar uma segunda pessoa pelos nossos problemas. E quando percebemos que a dor saudável começou a se transformar em desculpa para não sair da cama, é a hora do alerta. Esse é o alarme. Eu acho que nós temos sim que nos descabelar de chorar caso a vontade venha, mas quando isso se arrasta, é necessário enxergar se existe autopiedade dentro do processo. Sim, nós fazemos joguinhos emocionais, inclusive com nós mesmos e aí mora o perigo.

8 – Ir pras pistas

Ir pras pistas é uma metáfora de amplitude muito maior do que apenas se jogar na night. Ir pras pistas pode ser trocar a balada pela livraria ou pela academia. Para que a vaga do coração mude de ocupante, talvez seja bacana você procurar gente que se interesse pelas mesmas coisas que você. Se você gosta de gente zen que tal ir numa meditação? Se você gosta de papo cabeça puxe assunto num sebo. Sexo casual pode também – pra todos os gêneros. Entenda de uma vez por todas que a sociedade te oferece gaiolas, mas não entrar nelas pode ser uma decisão sua. Permita-se, goze, coloque o seu corpo em combustão, investigue novas possibilidades nele.

9 – Não levar autoajuda e os conselhos tão a sério assim, nem os meus.

As pessoas geralmente pensam saber o que é melhor pros outros, mas se você observar, geralmente seus conselhos infalíveis não funcionam quando autoaplicados. Todo e qualquer conselho pode não ser o melhor pra você. Ninguém tem a fórmula exata de como resolver o seu problema. Uma amiga vive me dizendo uma frase muito sábia: “uma opinião é só uma opinião”. A maioria esmagadora dos livros de autoajuda me incomoda porque normatiza caminhos que geralmente são muito pessoais. E sim, estou aqui me contradizendo, e se você costuma ler o que escrevo, sou adepto e favorável aos paradoxos. Esse texto não contem a verdade, mas dá boas dicas para que você encontre as suas maneiras de sacudir a poeira, portanto, desconfie de tudo o que eu te digo aqui.

10 – Não pagar micão no Facebook

As redes sociais podem facilmente nos comprometer quando nos portamos impulsivamente. Ficar dando curtidinha em postagens de ex é a primeira coisa que você poderia evitar pelo menos no começo. Eu sei que isso pode tentar mostrar o quanto você é maduro e está lidando bem com tudo, mas a outra pessoa provavelmente vai pensar que você está sendo chato, psicótico e insistente ou vai sentir-se perseguido, intuindo que você virou aquele tipo de stalker frustrado. Supervalorizar demais alguém é uma espécie de alimento para o narcisismo alheio, você acaba funcionando como uma ração pro sadismo da outra pessoa. Deletar pode ser radical demais e pode gerar arrependimento. A dica é tirar do feed, deixar de ver postagens e principalmente de fuçar na timeline. Você vai perceber o quanto o dia fica leve quando o olho não se ocupa da vida do outro. É como uma dieta forçada, mas funciona.

11 – Só agora mude o cabelo

Mudanças ficam muito mais legais quando começam de dentro e quando o nosso lado externo funciona como um acabamento ou arremate. Mudar o cabelo é um reflexo interessante sobre voltas por cima, mas não convence ninguém de que você mudou. Você só esquece verdadeiramente alguém justamente quando se livra da necessidade de dizer pra todo mundo que se esqueceu desse alguém. O esquecimento é silencioso, quando a gente percebe já foi. E aí sim é hora de arrepiar na juba e desfilar a sua superação.

12 – A hora do reencontro (não) acidental

Sim, depois de todo o processo de superação, o “estar pronto” pro reencontro é sempre relativo, é em toda a sua incerteza, um teste. Reencontros assim geralmente não são acidentais, no fundo você sabe onde pode encontrar a outra pessoa “por acaso”. Nós temos a mínima noção dos itinerários de quem conhecemos e isso facilita as coincidências. Se você realmente esqueceu essa pessoa, você talvez nem precise chegar na hora do reencontro acidental, muito menos provar nada. Mas se você chegou até aqui, o jeito é agir com simpatia e firmeza no olhar. Você não precisa fazer aquele teatro do “olha como eu to ótima”, mas estar confiante é um belo jeito de lidar com a situação.

 

TEXTO DEEduardo Benesi
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